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Utilização intensiva de carro antigo, as minhas impressões

Tópico em 'O nosso hobby: Clássicos' iniciado por Rui Meireles, 12 Out 2016.

Tópico em 'O nosso hobby: Clássicos' iniciado por Rui Meireles, 12 Out 2016.

  1. Serve este tópico para discutir os prós e contras da utilização intensiva ou diária de um carro antigo. Sei que há quem o faça aqui com muito sucesso mas na minha experiência pessoal notei que no primeiro dia a andar de antigo adorava, mas após uma semana já só queria o meu carro "normal" de volta… Passados uns meses esquecia-me e voltava a repetir a dose, criando-se um ciclo. Se estiver interessado em saber porquê, continue a ler.

    Antes de mais, vamos contextualizar. Estou a falar de um Ford Fiesta de 1988, num percurso de mais ou menos 80 Km diários, com AE, nacional e cidade. Não sendo um carro particularmente antigo, foi desenhado nos anos 70 e tem um motor que já vinha dos anos 50, pelo que muito do que aqui vou dizer será mais ou menos generalizável ao tipo de carro que a maior parte das pessoas poderá considerar usar no dia a dia (claro que um carro dos anos 30 será diferente!).

    Coisas boas:

    Agilidade
    Um carro antigo tende a ser mais compacto que um carro moderno do mesmo segmento. Em comprimento, altura e largura. Conduzir um carro pequeno é incrivelmente divertido. As rotundas fazem-se com enorme facilidade e o "slalom das tampas de esgoto" passa a ser trivial. Não há nada com um carro pequeno e leve a curvas nas estradas sinuosas de Portugal.

    Tacto mecânico dos comandos
    É excelente conseguir perceber até a pressão dos pneus pelo peso da direcção! Um grande contraste para as direcções eléctricas da actualidade, que são em geral completamente mortas. E os travões são muito lineares, precisando de força para travar a sério. Eu acho que isso facilita o doseamento!

    Practicalidade
    Os carros antigos tendem a ter uma altura ao solo maior e pára-choques menos envolventes, logo melhores ângulos de ataque e saída. Foi um alívio não ter de fazer contas para subir passeios ou rampas apertadas.

    E como são estreitos, são muito fáceis de estacionar, até nos exíguos espaços dos shoppings!

    Visibilidade
    Linhas de cintura baixas e pilares finos tornam muito fácil guiar em estradas apertadas aproveitando o espaço todo. Divertido!

    Sons e cheiros
    Nada como um perfume a gasolina e o ronronar de um motor carburado ao ralenti...

    Coisas más:

    Conforto acústico
    O refinamento dos motores antigos é fraco. No caso do Fiesta, o motor parece que se vai desfazer se tentarmos aproximar-nos do redline. Em geral, os motores mais recentes são mais suaves. E as caixas mais longas, o que ajuda a baixar a rotação e consequemente o ruído.

    Depois o isolamento das carroçarias também não era o melhor. Dei por mim a evitar auto-estradas. Tenho problemas de ouvidos e para mim andar a mais de 80 Km/h era um suplício.

    Conforto de suspensão
    Em geral os carros antigos não absorvem tão bem as irregularidades. Alguns talvez, tipo Citroens, mas em geral são mais fracos a este nível. Estradas de paralelo eram um calvário.

    Conforto dos bancos
    Os bancos antigos eram em geral mais fracos, menos ergonómicos. Ficava rapidamente com dores de costas.

    Conforto térmico
    As borrachas não são tão boas nos carros antigos, os vidros embaciam mais, faz mais frio e a probabilidade de entrar água é maior. Poucos têm AC.

    Consumos
    O carro antigo vai sempre gastar mais que o carro novo equivalente, o que não é agradável quando se fazem bastantes quilómetros.

    Em jeito de conclusão

    Cheguei à conclusão que para mim um clássico sabe melhor quando desfrutado ocasionalmente, em dia de sol e em passeios sem pressa pelas belas nacionais do nosso país.

    Quem tiver boa saúde e/ou fizer percursos curtos poderá usar com facilidade no dia a dia, mas para mim não.

    Concordam/discordam? Experiências?
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  2. Quando se comparam utilitários ou citadinos clássicos com os seus equivalentes modernos, é normal esse sentimento.
    Agora, entre um moderno mundano e um clássico exótico ou de características mais exclusivas, acredito que se prefira o antigo.
    Vamos imaginar que em vez de um Fiesta 1.1 ou 1.3 mkII estariamos a falar dum mais exclusivo XR2. Será que já aumentava a vontade de o usar?
    Agora outro cenário. Um clássico de valor idêntico ao moderno. Que tal um Escort RS Turbo bem equipado?
    Num clássico de características mais desportivas ou exclusivo, decerto preferia o clássico. Entre um mero utilitário do final da década de 80 talvez fosse diferente. No cenário de mero utilitário teria de ser algo mais antigo, algo que dificilmente se cruzasse comigo na rua.
     
  3. No meu caso não. Se reparar os problemas que me fazem parar rapidamente com a utilização diária (ruído, conforto, consumos) seriam iguais ou piores numa versão desportiva.
     
    Rafael Isento gostou disto.
  4. O 3º ponto concordo, os dois primeiros não. Na maioria das vezes as versões de topo são melhor acabadas, melhor insonorizadas e com uns bons bancos tornam-se até mais confortáveis.
     
  5. Tendo conhecimento do XR2 posso-lhe dizer que neste caso não. Os bancos são idênticos em suporte para a coluna. O motor é áspero e mais ruídoso ainda.

    Em geral penso que a minha a minha análise está correcta, se comparar carros equivalentes antigos vs modernos.
     
  6. Recomendo um 205 GTi 1.6 segunda série (os 115cv) para o dia-a-dia. Rapidamente se esquece dos plásticos modernos ;)
     
  7. Agradeço a recomendação mas não estou comprador de nenhum carro. Apenas queria partilhar impressões sobre prós e contras da utilização de um carro antigo no dia a dia.
     
    Hugo Viana da Silva gostou disto.
  8. Não estava a sugerir a compra de outro clássico. Apenas referi aquele modelo por ser um utilitário que rapidamente nos faz desejar usá-lo diariamente.
     
  9. Depende muito do carro/modelo/motor. No meu caso como vivo num meio mais pequeno e tenho a sorte de trabalhar a 3km de casa dá perfeitamente para ir de Méhari, ir a casa almoçar e voltar para o trabalho.
    De verão venho todos os dias, acho o carro mais confortável que o meu corsa b td! Claro que a nível de consumos e roídos não é como o corsa mas o conforto e o divertimento faz me esquecer essa parte :D:
    É óbvio que se trabalha-se a 20 ou 30km de casa já não o poderia fazer da mesma forma que faço... no entanto como já disseram em cima, há clássicos com motorizações e conforto para uso diário, o resto vai do gosto da pessoa B)
     
    Eduardo_Silva gostou disto.
  10. Pois, a 3 Km do trabalho moro eu no presente. Vou a pé.
     
    José de Sá gostou disto.
  11. @tiago salsa o Méhari não vale, eu se tivesse um não queria outra coisa... Quer dizer, trocava o AX GTi por um AX Sport ou 205 Rallye para os dias de chuva :D
     
    tiago salsa gostou disto.
  12. Não poderia estar mais de acordo, andar de carro velho tem todos os inconvenientes descritos e talvez ainda mais.

    Quem é que se lembraria de tal coisa? Andar em carros velhos no dia a dia?
    Estão sempre a avariar, é só despesa, uma enorme difículdade em arranjar peças, gastam muita gasolina, são quentes no verão e frios no inverno.

    Por outro lado andar em carros velhos poluiu o planeta e deixa-o pior aos nosso filhos, o que denota uma total falta de consciência em termos ambientais

    Isto para não falar na má imagem que tem, imagino só o que as outras pessoas podem pensar sobre quem só tem num carro velho.

    Já andar andar num clássico na marginal durante os clássicos de Cascais só pode dar uma boa imagem, tipo sou assim sou tão rico que até me posso dar ao luxo de ter este bibelot com rodas só para mostrar à populaça que acena da berma.

    Eu acho até que as fotos dos nossos antepassados com clássicos eram sempre tiradas ao fim de semana.
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    Por exemplo, algures nos anos 50, um grupo de amigos do que não pegavam nos clássicos há já algum tempo, combinam no Facebook ir à Bairrada comer um leitão. Divertiram-se imenso e o dia seguinte foram todos trabalhar de carro moderno, com todos os confortos e garantias de fiabilidade e de segurança, que só um carro moderno pode oferecer.

    A sério...
    TSHIRT_OLDCARS.jpg


    nuno granja
     
  13. Nuno, penso que está a ter uma visão demasiado redutora do assunto.

    Como em qualquer opção de vida, há prós e contras, que tentei esmiuçar atrávés da minha experiência pessoal. Não olhei apenas para um lado da questão.
     
  14. Claro, tudo o que disseste é verdade, não duvido, limitei-me a acrescentar mais defeitos (ainda devem ter mais...) e a dar exemplos ;)

    nuno granja
     
  15. Desculpe mas você naquele post estava a tentar gozar com o tópico, que não me parece uma atitude adequada. Nem particularmente bem sucedida, porque não usou um ábaco para enviar a mensagem nem a foto dos anos 50 mostra carros dos anos 10. As pessoas sempre lutaram para melhorar as suas vidas, e a tecnologia serve para isso mesmo.

    Eu cheguei à conclusão que, eu, tiro mais gozo dos antigos quando os uso ocasionalmente. E expliquei porquê. Você chegou a uma conclusão diferente (sem ter explicado porquê). Penso que ambas as conclusões merecem ser respeitadas.
     
  16. Vamos fazer umas contas:

    1. Esse Ford Fiesta nunca foi um carro interessante, não é em 2016 como não era em 1988. É um mero utensílio para servir o propósito de transportar. É um carro que se conduz por necessidade, não por prazer.

    2. fazer um commuting de 80km diários não é um prazer, talvez nem num Rolls. Novamente é uma necessidade.

    3. E depois em que estado ele está? Todo renovado? Casquilhos novos? espumas dos bancos novas? etc.

    É que se estás a comparar um carro com quase 30 anos e com quase tudo velho com um carro novo obviamente o antigo sai a perder.

    Soma os três pontos anteriores e tenho de te dar razão. Fazer 80km diários num utilitário velho provavelmente a precisar de muita manutenção é muito cansativo.

    Mas não podes dizer que essa é única experiência de um carro antigo.

    Imagina agora que só precisavas de fazer 10km/dia sem muito trânsito num MB R107 SL também de 1988 bem mantido. Provavelmente o commuting era a melhor parte do teu dia.

    Uma coisa é ir para o Algarve para um Hotel de Luxo outra é ficar numa rulote num parque de campismo lotado. Também é o Algarve mas não é a mesma coisa.
     
    #16 Bruno Carmona, 13 Out 2016
    Última edição: 13 Out 2016
  17. Ora aqui está um tema deveras interessante.
    Mas... claro... quase tabu num local como este e... creio por isso ter suscitado a resposta do @nuno granja.

    Pela minha parte reconheço perfeita validade no que foi escrito no post inicial e... se pensarmos bem a grande maioria dos que aqui escrevem na prática acabam por pensar e sentir da mesma forma pois mantêm e desfrutam do seu clássico numa base ocasional (com mais ou menos frequência) usando carros mais recentes para o dia a dia.
    Casos como o do @Eduardo Relvas são quase unicos e mesmo o @nuno granja acaba por usar com alguma frequência um Golf IV... para além de que qualquer um dos seus 3 clássicos está longe de ser um utilitário "ronceiro" e eram até carros "caros" e ao alcance de poucos, pelo menos por cá.

    De resto parece-me que o @Bruno Carmona acaba por dar quase a "machadada" final com algumas "achegas" bastante certeiras...
     
  18. Eu acho que o melhor momento para nos punirmos com a utilização de um carro antigo é ao fim-de-semana. Não é por prazer, mas sim por necessidade social.
     
    João Pereira Bento gostou disto.
  19. Aqui temos um daqueles pontos em que há que fazer alguns balanços que à primeira vista são impossíveis ou irracionais, mas que afinal fazem sentido.

    Mas antes de entrar em balanços, acho que o cerne da questão é mesmo a escolha do veículo. Embora seja efectivamente um utilitário, confesso que sinceramente um Fiesta me parece uma escolha fraquinha. Não é dos mais brilhantes, não é dos mais confortáveis, não é dos mais bem construídos, nem sequer é dos mais económicos. Resta o quê? Dispenso.

    Se se quer algo que nos encha a alma cada vez que lhe pegamos, a escolha é quase óbvia... um italiano é a opção por defeito. Fora disso, e mantendo a linha do utilitário, há algumas opções que podem casar o conforto de rolamento com a economia, como por exemplo um Pugas 205, preferencialmente com um motor decente mas sem ir a extremos de versões com "pimenta".

    Mas no final de contas há sempre o raio do balanço... o que é que a mim me faz viajar numa Fiat 124 com caixa de 4 e um 1200 aos gritos? Paixão... Porque é que me dou ao luxo de usar um carro que faz 8 litros aos 100 em estrada (9,5 na cidade), que é o dobro de um qualquer aglomerado de polímeros contemporâneos com A/C e tudo o mais? Porque não o devo a ninguém, a manutenção custa-me pouco mais que o meu tempo, e faz-me olhar para trás quando o deixo em qualquer lado não por ter de comprovar se ele tranca sozinho mas por orgulho.

    Pode roçar o masoquismo, podem chamar-lhe de loucura... mas é uma forma de expressão da minha personalidade, revejo-me nas qualidades do meu carro e não o trocaria por nada. Sou teimoso e sei o que quero. Ainda não morri pela falta do ar condicionado, e a caixa de 5 já está na bancada... um dia destes vai para o sítio.

    As questões ambientais são falácias da propaganda que nos emprenha os ouvidos todos os dias... o que mais polui é continuar a fabricar automóveis que são autênticos centros informáticos com baterias enormes, não é usar um carro que emite um pouco mais que o moderno. Mais vale pintar o mesmo carro passados 20 anos do que comprar outro. E o novo está preparado para falhar, enquanto o velho era preparado para durar, o orgulho dos fabricantes assim impunha. Hoje compra-se um carro como se compra uma impressora, e assim que precisa de alguma coisa é como os tinteiros... custam balúrdios. Não estou para aturar isso.

    Faz muito barulho em AE? Vai mais devagarinho e pela nacional... como dizia e bem um amigo há dias... hoje vive-se demasiado depressa. Com um clássico podes aprender a viver a vida com mais tranquilidade.

    É tudo uma questão de perspectiva e vontade... e nisso obviamente cada um sabe de si. A minha versão é esta.
     
  20. Concordo e subscrevo a 100%.

    Um abraço
     
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