Hymer a Aventureira

História e Fotos

História deste veículo
Devido à crise do COVID 19, começei a questionar como seriam as minhas férias, em Junho tive uns dias, aluguei uma autocaravana por 3 dias, pois o aluguer é muito caro e gostei.
Estou numa idade que se começa a pensar nos dias que nos faltam, e eu penso que o que me falta é viajar, conhecer, pois não queria ir me embora e não ter tido a oportunidade de conhecer o Mundo. Por vezes dou por mim a sonhar em viver numa Autocaravana por esse Mundo fora.

Começei por curiosidade a ver anúncios na net. Voçês sabem muito bem o que é isso. Inteirei-me do preço e dos valores delas em 2º mão. Comecei a apaixonar-me por umas muito feias e antigas que eu acho o máximo.
Nisto na Holanda aparece uma com um valor abaixo do usual, por volta de 4000€ a 5000€ mais barato. Pedi fotos e para minha surpresa era do ano mais recente desses modelos em que já tinha uma mobília mais clara e motor TD, pois muita gente se queixava que o motor aspirado era lento.

Reparei que não me forneciam fotos do interior, quando as pedi enviaram-me fotos que não correspondiam ao modelo de 1993 (de tanto a investigar na net, já começava a entender da poda). Após a resposta para o facto, fiquei a saber que a Autocaravana estava parqueada numa garagem na Holanda, mas os donos eram de Africa do Sul, todos os anos viajavam para a Holanda e viajavam nela pela Europa. Estando à guarda de uma senhora que negociava Autocaravanas e estava encarregada de a vender, mas mal se podia mexer, por isso tinha lá umas fotos de outras e mandava essas. ( Afinal não é só o Tuga que é xico esperto ).

Pedi-lhe o contacto dos verdadeiros donos, foi-me cedido e comecei a bombardear com perguntas.
Mostraram-se simpáticos e foram facultando as informações todas que eu pedia, até me disseram os países visitados e quando.

Nisto a vendedora, pressionou-me, informando-me que tinha um Australiano em Amesterdão com os bolsos cheios de dinheiro e que ia lá a Utrecth buscá-la. Se a queria reservar tinha de a sinalizar com 500€. Apesar de não ter tirado todas as minhas dúvidas com os donos, já sentia um elo de confiança com os donos. Sendo assim arrisquei e enviei os 500€. Já estava bastante empenhado na compra ( dezenas de e-mails com os donos ) para a perder agora.

Depois de a sinalizar, o Australiano continuava na conversa, a tal senhora que não conhecia de lado nenhum a dizer que o Australiano a tratava mal pelo telefone e que dizia, quem chegasse lá primeiro com o dinheiro é que comprava.
Comecei a ver o caso mal parado e como quem não quer a coisa, disse que punha a policia ao barulho. "Ó minha senhora, se esse Australiano não a larga, ainda hoje faço uma queixa há policia Holandesa para investigar a situação".

A conversa do australiano acabou.
O preço era de 8500€. Tentei negociar para 8000€ e a mudança da correia de transmissão, estava na altura, este carro muda de 80.000 em 80.000 Kms.
Não consegui. Só consegui 8500€ com a mudança da correia de transmissão e 2 pneus novos na frente.

Como estávamos no inicio da pandemia o bilhete de avião foi por volta de 70€.
informei-me com um médico, que me disse, que o ar em um avião é do mais puro que pode haver, tem uma série de filtros e que não havia problema de viajar se usasse máscara.
Estudei o trajecto de forma a ter o mínimo contacto com "Humanos", comprei um bilhete de Hotel que ficava no aeroporto, podia ir a pé e comprei o bilhete de comboio pela net. ( tudo com grande custo, pois o Holandês é intragável ).

Fiz a mochila com alguma comida para 3 dias, podia cozinhar no regresso, pois estava numa autocaravana, pensei no regresso abastecer-me num supermercado ( não esquecer que tinha frigorífico ) e sair só da autocaravana para por gasóleo. Pois nela podia ira ao WC, cozinhar e dormir. Ia atravessar Holanda, Bélgica, França, Espanha e Portugal.

Agora, faltava a novela do dinheiro, esse eterno problema, telefonei ao banco para ver a melhor forma de realizar o pagamento na hora, pois iria chegar à Holanda pela Tarde, punha-me logo no Hotel, no outro dia pela manhã queria realizar o negócio e partir nesse mesmo dia, não queria pagar mais que uma noite no Hotel e não tinha muitos dias para a viagem, pois tinha de ir trabalhar.
1º hipótese que coloquei foi de realizar uma transferência no homebanking em frente à vendedora. Foi-me dito que não seria possível para aquela quantia e mesmo sendo mais pequena, não garantiam que o SMS com o código de confirmação chegasse à Holanda por um qualquer problema de comunicação.
2º hipótese. Um cheque bancário, Não garantiam que o banco Holandês validasse logo na hora a boa cobrança, talvez tivesse que esperar 2 dias.
3º hipótese, NADA. desisti de tantos contratempos e de falta de soluções para quem quer realizar um negócio Internacional.
Resumindo e concluindo iria levar o dinheiro ao vivo.

Chegado 2 dias antes da viagem, lá fui levantar 9000€ ao banco.
Nunca tinha levantado tal quantia. Pedi em notas se 100 e 200. Parecia um extra-terrestre, surpresa a minha, informaram-me que para satisfazer o meu pedido tinha de ser com 1 semana de antecedência para eles conseguirem as ditas notas. Fiquei perplexo, um banco não tem notas ? Não tem mesmo, pedi para falar com o gerente da dependência, telefonaram para umas poucas e efectivamente não havia notas de 100 nem de 200.
Deram-me em notas de 50 poucas e todo o resto em 20.
Nem nos bolsos cabiam. Fiquei completamente desorientado, como é que ia levar aquele dinheiro ?

Telefonei a um amigo que tem uma empresa e lá me arranjou umas notas de 100 e na Tesouraria da empresa onde trabalho também me arranjaram algumas. No entanto ainda tinha muito papel para distribuir pelos bolsos.
levei umas calças largas, daquelas cremes tipo expedicionário com bolsos na pernas e em todos os lados para despistar, fiz 3 pacotes. 1 na mochila que levava e os outros 2 nos bolsos das ditas calças.

Chegado o dia, lá fui, cheio de medo, devido ao "bicho".
O avião só tinha 1/2 lotação e os lugares estavam divididos, não tinha ninguém ao meu lado.

Mais logo continuo, tenho de trabalhar, até logo.

Continuando a minha história.
A viagem correu sem sobressaltos. Chegado ao aeroporto de Amesterdão tentei ligar à família para avisar que tinha chegado. Em Portugal tinha falado com a Vodafone a perguntar o que é preciso fazer para falar desde a Holanda, informaram-me que nada é preciso, estava tudo ok. Já adivinharam ? Pois. Não consegui telefonar. Vi um casal Português, expliquei a minha situação e deixaram-me ligar do telemóvel deles, com o qual fiquei muito agradecido. Depois mexi nos botões todos e nas opções todas do telemóvel até que escolhi algo sobre o tipo rede e lá consegui fazer e receber chamadas.
Fui para o Hotel a pé, pois era mesmo no aeroporto.
O quarto era estranho, uma cama gigante encostada a uma janela gigante e uma televisão gigante na parede com todo o tipo de filmes, mesmo todo o tipo até aqueles "didácticos". Para completar tinha uma cabine de duche psicadélica com todo o tipo e cor de luzes. Tudo no quarto era controlado por uma tablet, televisão, luzes, rádio e cortinas eléctricas.



Na manhã seguinte fui a pé para o comboio que também era junto do aeroporto. Era esta fase da viagem que mais receava, de comboio logo pela manhã ? Devia estar cheio de gente.
Espanto o meu, o comboio não tinha ninguém, era só eu.
Passei pelo estádio do Ajax, e cheguei a Utrecht, cidade onde iria fazer a compra. liguei o GPS para seguir para a morada.
Ficava numa zona antiga com um canal onde tinha muitas casas flutuantes.
Chegando à morada, uma casa particular e muito antiga, toquei à campainha e esperei, veio de lá um individuo com uma cara de poucos amigos e com os modos pouco simpáticos. subi uma escada em caracol e entro numa sala enorme cheia de cangalhada e toda alcatifada que tinha visto um aspirador à 3 anos atrás. No meio tinha uma mesa e uma senhora muito obesa.
Era a senhora com quem tinha negociado. Falámos e combinámos eu ir ver a Auto-caravana com o tal "Frankenstein" e depois irmos tratar da matricula de importação e do seguro para poder trazê-la.
Assim foi entrei dentro de uma carro e lá fomos, a auto-caravana estava a uns Kms valentes, num estacionamento coberto de Auto-caravanas.
Chegados lá, comecei a ver a Auto-caravana ao pormenor, claro que havia coisas que não me tinha contado, uma porta de uma alçapão não fechava, a casa de banho estava um pouco degradada, etc. Queria experimentar o funcionamento do gás tanto no fogão, como no frigorífico e no aquecimento, não tinha botija de gás. O "Frankenstein" estava nervoso queria despachar-se. Eu queria ir comprar uma bilha de gás para experimentar o que pudesse. A dada altura o monstro começa a ruminar e só percebi "stupid". Fartei-me um bocado daquilo e disse-lhe que tinha percebido tudo e que ele devia ter mais tento na lingua, pois não era estúpido. Mais não disse, senão era capaz de dar para o torto e lá vinha eu da Holanda com as mãos a abanar.
Comprámos a bilha do gás e testei o fogão, a água quente e não testei o frigorífico pois tem de se esperar bastante tempo para verificar o seu funcionamento e o monstro estava em brasa. Experimentei e dei uma volta com ela e verifiquei que o motor estava muito bom, mesmo novo.
Fomos então a um sitio para fazer a matricula de importação e o seguro. Chegados ao local, o monstro desorientou-se e não descobria onde era, demos voltas e mais voltas.....mais voltas....telefonou à mulher.....e mais voltas , até que por fim de tantas voltas dar tínhamos mesmo de dar com aquilo.
O lugar era meio esquisito. Um bar vazio, sem nada, agarrado a uma espécie de sucateiro ou de carros para exportar, ainda hoje não percebi bem o que era aquilo. Não estava ninguém, esperámos uma eternidade, até que apareceu um "monhé", desculpem a expressão mas não sei outra forma de o dizer. Cada vez era mais sinistro, entregámos os documentos e pediram-nos as matrículas. "As matrículas ?" , questionou o monstro. Não tínhamos.
De regresso à Auto-caravana para tirar as matriculas.
Lá tirei as matrículas, pois o monstro nasceu cansado, voltámos de novo àquele café fantasma, sem de novo o monstro não atinar com o local, tive de ser eu a dizer onde era.
Entregámos as matriculas e os documentos ao indivíduo e ele desapareceu por uns bons 20 minutos. Naturalmente já anda por aí a circular um cartão de cidadão igual ao meu.
Quando apareceu, entregou-me um papel de seguro e umas matrículas de plástico com uns autocolantes impressos a impressora térmica e um selo, também ele autocolante. Seria tudo legal ? Não faço ideia, a verdade é que durante a viagem ninguém me chateou. Paguei se não me engano 150 Euros e lá fomos nós ter com a dita Senhora para pagar, trazer a factura, muito importante e voltar de novo para a Auto-caravana a fim de regressar.
Pelo caminho o monstro, disse que ia parar num supermercado, se eu queria ir. Disse-lhe que não, não queria apanhar COVID.
Nessa altura só vi lá uma máscara, era a minha.
Fiquei no carro, quando ele regressa, abre uma um pacote de fiambre, tira umas poucas de fatias com a mão e come-as. Depois com aquelas mãos todas engorduradas, dá à chave, pega no volante e siga.. Não preciso de comentar mais nada.

Agora meus Amigos é Natal e vou para o pé da família. Volto aqui, talvez amanhã para finalizar a história.
Um Feliz Natal para vocês e os vossos entes queridos.
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Hotel.jpg Hotel - Cabine do duche Hotel_1.jpg Hotel - quarto Hotel_2.jpg Hotel - vista para os aviões

comboio_1.jpg Comboio para Utrecht comboio_2.jpg Comboio - lotação ajax.jpg Comboio - Estádio do Ajax

bairro.jpg Bairro da casa da...
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Detalhes do veículo

Proprieário
Frederico Nina
Vistos
257
Comentários
11
Actualizado

Informação adicional

Marca
Hymer, chassi FIAT
Modelo
B544
Origem do Fabricante
Alemanha
Época
Depois de 1990
Ano de Fabrico
1993
Comprado em
2020

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