Bem-vindo/a ao Portal Classicos

O Portal dos Clássicos é um sítio português dedicado aos veículos clássicos com interesse histórico. Temos como objectivos juntar a comunidade de entusiastas e prestar auxílio a todos os que pretendem adquirir, restaurar, conservar e manter veículos antigos. O que espera para se juntar à família?

Welcome to Portal Classicos, the biggest Portuguese community about historic vehicles! Change language here.

  1. Este site utiliza cookies. Ao continuar você estará de acordo com a nossa utilização de cookies. Saber Mais.
  2. Postalistas, o Portal dos Clássicos está no no Drivetribe, a rede social automotiva do trio May-Clarkson-Hammond! Junte-se à nossa Tribo
    Fechar Aviso

O SONHO E A OBRA – 1ª. parte – A ORIGEM

Tópico em 'O nosso hobby: Clássicos' iniciado por Armando de Lacerda, 4 Ago 2008.

Tópico em 'O nosso hobby: Clássicos' iniciado por Armando de Lacerda, 4 Ago 2008.

  1. 2008-05-08-VisitaaItlia605.jpg

    Nós não vendemos automóveis.
    Vendemos um sonho.
    Luca Cordero di Montezemolo


    A criança que vivia num mundo de imaginação e sonhava ser piloto, tenor, jornalista e tantas outras coisas tornou o sonho realidade criando o maior símbolo do automobilismo, sinónimo de velocidade, arrojo, beleza e emoção.

    Ao longo da sua vida foi jornalista desportivo, piloto, fundador de uma escudaria, director da Alfa Corse até realizar o seu grande sonho de criar um carro e uma marca sem a qual, hoje, o automobilismo perderia muito do encanto que tem.

    Foi uma vida de luta difícil e persistente até 1947, quando o 125S, primeiro Ferrari produzido, sai dos portões da pequena fábrica de Maranello. Enzo Ferrari tinha já 49 anos.

    Enzo era originário de uma terra onde as mulheres, a boa comida e os motores eram o centro da vida que o transforma numa pessoa especial, talvez única.
    Nascido em Modena a 18 de Fevereiro de 1898, Ferrari apaixona-se, desde muito novo, pela mecânica e pelos automóveis de corrida.

    A 6 de Setembro de 1908, com dez anos, seu pai Alfredo, proprietário de uma oficina mecânica num edifício ainda hoje existente nas proximidades da estação, leva-o, juntamente com seu irmão Alfredino, a assistir ao Targa Florio, uma prova de velocidade que, naquele ano, se disputou nos arredores de Bolonha, com 10 voltas de 52 kms, num total de 528,1 kms que foram percorridos em 4h-25m e foi ganha por Felice Nazzaro tripulando um Fiat.

    O pequeno Enzo fica fascinado e quando, quatro anos depois, vê publicado na “Stampa Illustrata” a fotografia de Ralph de Palma, campeão de origem italiana que havia feito fortuna nos Estados Unidos e vencera as 500 milhas de Indianapolis, resolve tornar-se piloto.

    Mas, em jovem apaixonara-se também pelo jornalismo e aos 16 anos frequentava a redacção da “Província di Modena” e era correspondente da “Gazzetta dello Sport” para onde, entre outros, enviou a reportagem da derrota doméstica do Modena frente ao Inter por 1-7.

    A primeira guerra mundial traz-lhe dois dramas: em 1916 vê morrer, a curta distância um do outro, seu pai e seu irmão.
    Chamado para o exército em 1917, não vai para as trincheiras por ter adoecido com uma pleurisia e fica hospitalizado, primeiro em Brescia e depois em Bolonha.

    PILOTO EM MILÃO

    Com o fim das hostilidades regressa a Modena onde havia permanecido sua mão Adalgisa.

    Vende o estabelecimento do pai e parte para Turim, na altura capital do automobilismo, levando no bolso uma carta de apresentação do seu coronel no exército para a Fiat, recomendação que não surtiu efeito pois não conseguiu qualquer contratação.

    Esta recusa causou-lhe uma grande mágoa de que não se libertou para o resto da vida.

    Volta para Turim, onde convive com pilotos, abastados aristocratas e seus mecânicos, antes de se deslocar para Milão onde conseguiu emprego, como piloto de testes, na CMN, Construzione Meccaniche National, uma pequena fábrica reconvertida no fim da guerra e, a 5 de Outubro de 1919 com 21 anos , estreia-se finalmente na corrida Parma-Poggio di Berceto, tripulando um CMN que havia adquirido com as suas poupanças.

    Ingressa depois na Alfa Romeo como piloto e, a 17 de Junho de 1923, vence o circuito de Savio em Ravenna.

    Na sessão de distribuição de prémios, é apresentado ao conde Enrico Baracca e a sua esposa, pais de Francesco Baracca, um lendário às da força aérea italiana durante a I Guerra Mundial que morrera muito jovem, em 19 de Junho de 1918, abatido após 34 duelos vitoriosos e que usava no seu avião um cavalo empinado.

    A condessa Paolina Baracca, mãe deste aviador, impressionada com a coragem e simpatia de Enzo, pediu-lhe para que usasse o desenho do cavalo nos seus carros, sugerindo que isso lhe daria sorte.

    Ferrari deixou o cavalo como havia sido pintado no avião de Baracca, mas colocou-o sobre um fundo amarelo, cor da cidade de Modena, encimado pelo tricolor italiano e inscrevendo por baixo as inicias SF, Scuderia Ferrari.

    Este escudete, substancialmente idêntico ao que, hoje, ostentam os monopostos e outros carros da Ferrari, só aparece nove anos depois, 9 de Julho de 1932, nos carros da escudaria, altura em que a Alfa Romeo permitiu o seu uso nas suas viaturas, nas 24 Horas de Spa, prova que Ferrari venceu.

    O “cavallino rampante", que é hoje uma marca registada da Ferrari, não foi sempre identificado apenas como marca dela, porque também Fábio Taglioni o usou nas suas motocicletas Ducati, pois seu pai havia sido companheiro de Baracca e lutou com ele no 91º. Esquadrão Aéreo. Mas à medida que a fama da Ferrari cresceu, a Ducati abandonou o cavalo, possivelmente em resultado de algum acordo entre as duas marcas.

    Em 1924, como piloto oficial da Alfa Romeo, vence a taça Acerbo, na Pescara, mas depois interrompe as corridas, embora tenha competido em Lion, em França, onde é visto na estreia do novo P2 da fábrica milanesa.

    Passa a dedicar-se à concessionária Alfa que abriu em Modena e, mas tarde, também em Bolonha.

    O vírus das corridas não o abandona, mas é demasiado ambicioso para aceitar o simples papel de piloto pois compreende que a competição e os carros tem possibilidades de lhe oferecer muito melhores oportunidades.

    Dedica-se à comercialização do Alfa Romeo e aproveitando o contacto com tantos pilotos que frequentam o mundo das corridas, em 1929 funda a Scuderia Ferrari, em Modena na Avenida Trento e Trieste, com o objectivo de participarem não só ele mas também outros pilotos famosos.

    Posta a ideia em prática, começa a recrutar, através de Giuseppe Campari, pilotos independentes, conseguindo, entre outros, Louis Chiron, Achille Varzi e, sobretudo, Tazio Nuvolari, piloto lendário conhecido pelo profundo talento que caracterizavam as suas proezas e que se torna “unha e carne” com Ferrari.

    Apesar do seu menor nível de condução, não desdenha de competir também e, em Junho de 1931, vence o Bobbio-Penice, corrida na encosta de Piacentino.

    Procura encontrar algum “sponsor” para a escudaria que desde 1933 administra representando, oficialmente, a actividade desportiva da Alfa Romeo e consegue o apoio financeiro da Shell e da Pirelli, além de outros.

    Um precursor!

    A AUTO AVIO CONSTRUZIONI

    No fim de 1937, contra vontade, a Scuderia chega ao fim porque, no início de 1938, Ferrari é chamado a Milão para ocupar o lugar de director da Alfa Corse, cargo que mantém até ao fim do ano seguinte.

    A separação da Alfa é inevitável pois o cargo limita as suas ambições de construtor.

    A Alfa está consciente que a notoriedade do nome Ferrari é um património que possui pelo vinculo do seu nome a ela. Antes de permitir a sua saída, chega a um acordo de indemnização com o compromisso de Enzo de, durante quatro anos, não construir automóveis com o seu nome.

    Saído da Alfa, Ferrari funda em Modena, próximo da sede da antiga escudaria, a Auto Avio Construzioni cuja principal actividade, durante a segunda guerra mundial, será a produção de máquinas - ferramentas, em particular, rectificadoras, mas o seu grande sonho permanecerá nos carros e na competição.

    Assim, em 1940 nasce o primeiro Ferrari - não Ferrari: uma viatura desportiva, da qual se construíram dois exemplares, com carroçaria “spider” e motor de 8 cilindros de 1 500 cm3 de cilindrada que participa nas Mil Milhas daquele ano, pilotada por Alberto Ascari e o marquês Lotario Rangoni Machiavelli.

    As Mil Milhas nascidas em 1927 e que ainda hoje se realizam, agora como prova de regularidade, eram descritas por Enzo Ferrari como a “corrida mais bonita do mundo”.

    A viatura denomina-se Avio 815 em virtude do compromisso para com a Alfa.
    O início da guerra põe termo à veleidade desportiva. No fim de 1943, a actividade industrial de Ferrari transfere-se de Modena para Maranelllo onde prossegue a produção de rectificadoras, apesar dos bombardeamentos de Novembro de 1944 e Fevereiro do ano seguinte.

    Com o fim do conflito, torna a pensar nos carros de corrida e naquela localidade nasce a simbiose que levará, no futuro, o pároco Don Erio Belloi a repicar os sinos com as vitórias da Ferrari.

    Quatro anos são passados e não existe mais qualquer impedimento do uso do nome. Nasce, desta forma, em 1947, o primeiro Ferrari.

    Nota:- Este “post” é um resumo livre e aumentado do primeiro capítulo da obra "L’Opera e il Sogno". Se merecer qualquer interesse, poderei, futuramente, fazer o resumo de outros capítulos.
     
  2. Sr Armando, adorei ler e garanto-lhe que da minha parte merece todo o interesse e ficarei a espera dos "proximos capitulos". Obrigado por partilhar este connosco.
    Cumprimentos.
     
  3. esta fantastico sr Armando!! parabens por esta iniciativa!! venha de la com os outros capitulos :feliz:
     
  4. Espetacular!!! Vou esperar por mais :D
     
  5. Obrigado pela partilha! Esperamos por mais resumos com esta qualidade.
     
  6. Muito obrigado pela partilha ;);) Já conhecia parte da história, mas não toda, por exemplo do pároco de Maranello e o facto de ele ter aceitado ir para milão ser director da alfa corse (eu pensava que ele tinha recusado e cortado laços com a AR)!

    Por isso, venha mais que eu fico à espera!! :D:D Excelente tópico!
     
  7. Muito bom,que venha os próximos capítulos :feliz:
     
  8. Muito interessante, obrigado.
     
  9. Muito bem, Sr Armando, aguardo o próximo capitulo.
     
  10. Ora Viva, seja bem aparecido ilustre Sr. Armando
    Gostamos todos muito de o ter por cá

    Obrigado por tão bonita historia que conosco veio partilhar

    Cumprimentos
    Fernando Sampaio
     
  11. Belissimo!!!! Continue com esta qualidade, sr. Armando!!!
    Um abraço
     
  12. Uma grande história, só ao alcance de um grande homem...
     
  13. boas sr ARMANDO
    em primeiro pela sua bela idade e dopois pelo esclarecimento que pelo menos a mim me ofereceu nao tinha cohecimemto de todo esse texto e agora fiquei mais esclarecido espero por mais
    um abraco
     
  14. espero ver resto dos capitulos ate porque os ferraris sao carros que me dislumbram....
     
  15. lindo...
    estou ansioso por ler mais capítulos...
    obrigado pela partilha de tal sabedoria
     
  16. belo relato,um bom tópico para acompanhar B)
     
Código de Verificação:
Rascunho Salvo Rascunho removido

Partilhar Página