Revista Motor Clássico chega ao fim de vida?

Vitor Dinis Reis

Pre-War
Membro do staff
Portalista
Uns podem gostar mais outros menos, do meu ponto de vista não deixa de ser uma notícia relevante e uma baixa de peso para o nosso meio. A Motor Press Lisboa enviou uma carta aos assinantes da revista, em que me é anunciada a suspensão da revista Motor Clássico.

Já antes a administração havia informado que iria passar a periodicidade da publicação a bimestral. Pelo vistos não foi suficiente para manter a revista viável.

À bastante tempo que me questiono sobre os meios de financiamento disponíveis para estes projetos, cheguei inclusivamente a comentar numa Conversa de Garagem, a confusão que me fazia desfolhar cada uma das três revistas nacionais sobre clássicos e em cada uma delas ter apenas 2/4 anunciantes por edição. Penso que manter três revistas mensais durante tanto tempo, num mercado tão específico e para um público alvo reduzido terá sido um "semi-milagre" só possível com muita carolice e alguma ginástica financeira.

Da moribunda Motor Clássico fica a recordação da qualidade gráfica que trouxe ao sector, algo a que não estávamos habituados na altura.
Fica também um obrigado ao Adelino Dinis por tudo o que fez desde, pelo menos, os tempos do Jornal dos Clássicos.

Não vou ser hipócrita: em tempos de crise prolongada como os que vivemos (desde 2012?), é necessário fazer escolhas. Eu, quando quero e posso, opto pela imprensa internacional que embora seja mais cara me oferece mais informação e - acima de tudo - informação que valorizo.
Há muitos anos que não compro - nem me interessa - nada na imprensa especializada nacional admitindo, ainda assim, que é uma forma de estar errada pois se fossemos todos como eu não haveria hoje nenhuma revista sobre clássicos publicada na língua de Camões. Como disse, não vou ser hipócrita e deitar lágrimas de crocodilo. Mas lamento!

Fica a última capa, edição 115. Aparentemente não existirá 116:
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Anexos

Infelizmente essa é uma delas, no caso que sigo mais de perto, o Todo-o-Terreno, a Offroad4x4 igualmente desapareceu há uns tempos, era uma revista interessante para a qual escrevi várias crónicas dos passeios que organizo e quase sempre arranjaram um cantinho para a publicar, infelizmente não aguentou a concorrência e a crise. No meu caso digo o mesmo, comprava a revista sempre que podia e que tinha interesse, no entanto dar 3, 4 ou às vezes mais de 5€ por uma revista acho exagerado e não dou, mas como é óbvio tenho pena, mas de facto cada vez os patrocínios são mais escassos e as publicações ressentem-se disso.
 

Camacho Cêrcas

Pre-War
Autor
A internet e os meios de informação digital, aliados ao Facebook, por exemplo, tornam os meios tradicionais de informação, como jornais, revistas e até livros, practicamente obsoletos e do ponto de vista económico, pouco sustentáveis. A revista Motor Clássico é apenas mais uma a cair no seu formato original. O truque passa por saber fazer a passagem para o mundo digital e isso nem sempre se faz ou a ser feito, consegue cativar os leitores assíduos no formato em papel.
 
Fico triste com esta notícia.

De há dois anos para cá tenho comprado revistas monomarca de âmbito internacional, optando por comprar as nacionais sempre que algum artigo me despertasse interesse.

Foi o caso da última edição onde se apresenta o RS200 da Diabolique, que comprei sem saber que seria a derradeira.
 
Uma pena e tendo em conta o nosso mercado, não seria mais viável juntarem-se os varios projetos e tentar ter só uma revista.
Fui sempre comprando quando tinha artigos do meu interesse. A ver o que o futuro nos reserva.
AB
 

António José Costa

Regularidade=Navegação, condução e cálculo?
Premium
Portalista
Eu gosto de ter as revistas já foi quase uma obsessão, fui comprador da MotorClássico desde a nº1, segui as publicações do Adelino Dinis desde o nº zero no jornal de Clássicos com o artigo é tão giro ter um Mini.
quando passou a bimestral deduzi logo que fosse o principio do fim, fizeram o mesmo com a AutoMagazine.
A última página da revista dá toda a informação.
Fico triste, porque acho sinceramente que damos poucas oportunidades aos meios nacionais e depois queixam-nos, acabando por sermos alvos da nossa pequenez, quer geográfica quer populacional, e por vezes mesmo culturalmente.
É uma realidade que as revistas são caras, não tem todos os artigos como pretendemos e falta sempre algo que gostaríamos, mas não existe a perfeição e a realidade a web mudou tudo a informação será feita de outra forma, lida de outra forma, percebida de outra forma, e até esta se tornou completamente e apenas imediata e consumista.
Olhamos na grande maioria demasiado para o nosso umbigo e falar mal é fácil, mas quem faz ou fez melhor?
Nós não estamos completamente certos apesar de por vezes o acharmos e para as empresas, publicações, grupos editoriais, instituições, etc, é impossível agradar a gregos e troianos.
A mudança neste mundo virtual será cada vez maior e mais frequente.

AC
 

nuno granja

petrolhead
Portalista
Autor
Pegas no forúm (já lá vão quase 10 anos) à parte, não é uma boa noticia.

Subscrevo que o @Camacho Cêrcas escreveu e só me surpreendeu ter durado tanto.

Quem tiver uma ideia dos custos que um projecto destes implica, do tamanho do nosso mercado e da concorrência estrangeira não conseguirá ver qualquer viabilidade.

Contra mim, há ainda o facto de praticamente só ler a imprensa estrangeira, mas seja a que nível for, não há comparação possível.


nuno granja
 

Barros Miguel

Clássico
Sempre considerei a publicação em questão bastante sofrível (aliás está bem explicito na capa o aviso "qualidade autohoje"), no entanto a nível nacional era na minha opinião a "menos má".
Quanto ao Adelino Dinis não estamos na mesma onda, prefiro vasculhar numa sucata enterrado nas silvas do que "glamour" de tios, futilidades e chapéus de palha...
 
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