Incursão muito incompleta por carrinhos baratos

josecarlosromao

Clássico
Gostava de partilhar convosco alguns carrinhos da minha coleção, que, não sendo nada de especial, tem de ser valorizada de outra forma. Deixo por isso algumas notas sobre os fabricantes de miniaturas que existiam no mundo pré-globalização, onde havia espaço para todos. Eu gosto da globalização, é a ela que devemos as excelentes miniaturas da Altaya a 10 euros, mas pelo meio perdemos muito fabricantes locais (a fazer carros muito sofríveis).

Os franceses Majorette têm características específicas para serem brincados como uma suspensão à custa de um arame contra o qual as rodas são pressionadas (o que os torna mais elevados) e alguma peça móvel (no caso deste Peugeot 604 é o capot).

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Os Hot Wheels, representados aqui por um Ford Escort, têm outra abordagem para se constituirem como um bom brinquedo: a robustez das peças, sem partes móveis, que permite rolarem maiores distâncias que os outros carrinhos. O público alvo são as crianças mas muitas vezes os modelos em vez dos mais óbvios e mais reproduzidos são automóveis alvos de culto e portanto uma piscadela de olho aos pais...

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Criada nos anos 70 a Bburago começou por ter uma linha de miniaturas 1:24 mais virada para os adolescentes, representando a gama presente no mercado europeu da altura, com algumas versões mais apimentadas, como este Opel Ascona. Hoje são quase impossíveis de encontrar, mas eu se tivesse oportunidade eram estes carrinhos a prioridade da minha coleção.

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Houve várias marcas de miniaturas espanholas, que fizeram sobretudo Seats de todas as formas e feitios, e são hoje impossíveis de encontrar fora de Espanha. Tenho este Ronda, da Guisval, porque é meu desde pequeno.

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Em Portugal houve a Poliguri, que fez uma meia-dúzia de modelos (com várias versões), sendo um deles este Mercedes W124 Taxi. A miniatura está muito bem conseguida, mas a tinta é uma porcaria, ainda há pouco tempo abri este e já está cheio de falhas, os eixos não conseguem manter as rodas na posição correta e a peça de plástico translúcida não parece encaixar bem. Um problema do departamento de qualidade. Aliás, da falta de departamento de qualidade.

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Do Reino Unido veio a Corgi, que já não é do meu tempo, e fez miniaturas sem grande qualidade, mas representativas do mercado britânico da altura, como este Range Rover, aqui numa versão usada pela polícia local:

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Já a Matchbox distingue-se pela qualidade das suas miniaturas que, sendo para ser usadas como brinquedos, têm um muito bom acabamento, como prova este Rover Sterling (que as torna mais caras que os Hot Wheels, razão pela qual desapareceram do território nacional).

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Tendo percebido que não conseguiam competir pelo preço mais baixo, vários fabricantes, como a francesa Solido, que fez este ZX, ao longo dos anos 90 passaram a direcionar as suas miniaturas mais para os adultos, ao adicionarem mais detalhes (muitas vezes a moldes já existentes).

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Este Classe G, da Realtoy, é do tempo em que na China estavam a começar as hostilidades que culminariam no absoluto domínio do mercados das miniaturas (e do resto) na atualidade, e fim de quase todos os outros fabricantes de miniaturas.

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Já este BMW E36 à escala 1:18, da Maisto, é muito mais convincente a mostrar que os chineses conseguem ser muito bons e muito baratos.

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Também tenho Altayas, e é aí que vou meter o meu dinheiro de futuro. Considero que a vertente museológica já foi suficientemente explorada (a exceção são os primeiros 1:24 da BBurago...).
 

HugoSilva

"It’s gasoline, honey. It’s not cheap perfume."
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É uma área que até aprecio mas sempre que começo a fazer contas fico algo apreensivo com o custo que a coisa pode significar, mesmo miniaturas que se arranjem baratas, se vierem do estrangeiro os portes matam o "bom negócio" e ao fim de meia-dúzia delas já gastámos (investimos!) dinheiro para mudar o óleo a um carro de verdade sei lá quantas vezes!

Ainda assim é algo que ainda pondero explorar, a última vez foi quando descobri que havia quem fizesse a esocla 1:87 e com bastante detalhe. O tamanho reduzido permitiria facilitar a questão logística da coisa mas rapidamente ficou claro que a escassez nessa escola torna difícil senão impossível fazer uma coleção digna nesse nome.
 

josecarlosromao

Clássico
Ainda assim é algo que ainda pondero explorar, a última vez foi quando descobri que havia quem fizesse a esocla 1:87 e com bastante detalhe. O tamanho reduzido permitiria facilitar a questão logística da coisa mas rapidamente ficou claro que a escassez nessa escola torna difícil senão impossível fazer uma coleção digna nesse nome.
Eu decidi colecionar carrinhos de 3 polegadas (Majorette, Hot Wheels...) por serem mais acessíveis. Mais recentemente, ao comprar Altayas, é que soube o que era bom, e agora já não me parece fazer tanto sentido gastar mesmo que sejam só 2 euros nos Majorette quando posso gastar 10 nos Altaya. Mas também porque já tenho muitos carrinhos e neste momento interessa-me mais a qualidade que a quantidade.
 

HugoSilva

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Nesta área nota-se bem o acréscimo de qualidade mas a menos que se vá para coisas de muito alta-gama é dinheiro a fundo perdido e quando os carros a sério precisam de manutenção custar-me-ia olhar para a vitrine e ver ali tanto dinheiro metido. Ainda assim não está completamente excluído.
 

josecarlosromao

Clássico
Nesta área nota-se bem o acréscimo de qualidade mas a menos que se vá para coisas de muito alta-gama é dinheiro a fundo perdido e quando os carros a sério precisam de manutenção custar-me-ia olhar para a vitrine e ver ali tanto dinheiro metido. Ainda assim não está completamente excluído.
Não sei se é mais a fundo perdido que os carros a sério, há-de haver bons e maus investimentos em ambas as áreas. Os carrinhos que comprei foram geralmente a preços abaixo do valor de mercado, mas isso por si só não quer dizer que conseguísse recuperar o dinheiro. Eu já experimentei vender carrinhos em feiras, que têm custos de inscrição e outros como de transporte até lá e alimentação e pela internet, havendo custos de transporte dos carrinhos. Por isso, tal como nos carros a sério, acho que as margens de retorno existem quase só para os profissionais.
 

João Luís Soares

Pre-War
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Eu decidi colecionar carrinhos de 3 polegadas (Majorette, Hot Wheels...) por serem mais acessíveis. Mais recentemente, ao comprar Altayas, é que soube o que era bom, e agora já não me parece fazer tanto sentido gastar mesmo que sejam só 2 euros nos Majorette quando posso gastar 10 nos Altaya. Mas também porque já tenho muitos carrinhos e neste momento interessa-me mais a qualidade que a quantidade.
Já olhaste para as gamas acima dos Altaya? Ixo, Brumm e por aí...
 

Samuel

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Interessante esta abordagem, sobretudo para mim que sou um leigo na matéria.

Eu, para controlar as despesas, optei pelo critério de ter o mesmo modelo (do meu interesse) em algumas escalas. Estou a ponderar se alargo as escalas e o leque de fabricantes para cada escala (já aconteceu).
A dificuldade maior tem sido as cores.
 

José Olazabal

Fiat 126 - a "Ervilhinha"
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Que coleção tão especial, fez-me voltar à infância...Para quem gosta dessas miniaturas aqui fica o lançamento dum conjunto Vintage Rusty da Majorette que acho fantástico (a minha intenção não é fazer publicidade, estarei a infringir as regras?):

 
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josecarlosromao

Clássico
Que coleção tão especial, fez-me voltar à infância...
Majorettes de 1975 para a frente tenho a maioria, encontrados muitos na feira da Ladra e similares, era esse o cerne da minha coleção. Depois cheguei a uma altura em que subia o orçamento e ia mais para trás no tempo (incluindo carrinhos como os Dinky Toys) ou apostava no 1:43 mais acessível (Solido, Altaya). Escolhi esta última opção (exceção feita aos Hot Wheels que encontro no supermercado). Mas como eu costumo dizer para escárnio da minha namorada, um curador está sempre a moldar a sua coleção.
 
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