Hydrogas

bruno 1301

YoungTimer
Boas a todos.
Comprei um metro surf de 1990 e a suspensão está a altura certa mas muito dura, não amortece nada, o carro anda aos saltos, as botijas são a hydrogas Made by dunlop.
Alguém já teve este problema?
Normal não seria o carro ficar colado ao chão?

Cumprimentos
 

Pedro Seixas Palma

Pre-War
Premium
Portalista
Normal não seria o carro ficar colado ao chão?
Não, é mesmo assim que elas morrem. No sistema hydragas parte do sistema é cheio com um fluído incompressível, e outra parte com azoto. O azoto, sendo um gás, faz a função de mola, enquanto que o fluído faz de amortecedor e liga a suspensão traseira à dianteira (como num 2cv, mas sem os tirantes ).
Com o passar dos anos o azoto escapa-se através da membrana de borracha que o contém (o sistema foi desenvolvido pela Dunlop), e a suspensão vai baixando. E vai à oficina e enchem com mais fluído para repôr a altura, e continua a baixar e a pôr mais fluído até que não haja gás nenhum no sistema. E aí o carro essencialmente deixa de ter molas.
 
OP
OP
bruno 1301

bruno 1301

YoungTimer
Obrigado pela explicação.
Uma pergunta, encher as botijas com o líquido do sistema hydrolastic será que a suspensão fica ligeiramente mais suave do que está agora?
Cumprimentos
 

Rafael Isento

33 Boxer 1.5
Membro do staff
Portalista
No Metro (até 1990), as botijas da frente são independentes e só as traseiras estão ligadas entre elas. O gás não é azoto mas sim nitrogénio. O líquido dos Hydrolastic é o mesmo do Hydragas e é semelhante ao LHM da Citroën. Dependendo da zona do país, ainda há algumas casas que vendem o líquido com a especificação da Austin/Rover. No Porto há a Artur & Mesquira e a Oliveira & Valentim entre outras. Mais complicado é arranjar quem tenha a máquina de enchimento, já são muito poucas...

O último modelo a usar esse sistema foi o MG F, o sub-chassis traseiro é igual ao sub-chassis frontal do Rover 100. Só entre estes se conseguem intercambiar botijas. Desde que as membranas não rompam é possível voltar a colocar gás (nitrogénio) mas implica soldar uma válvula de alta pressão e esse é um trabalho muito sensível, deve ser feito por profissional experiente.

Há um site sobre as suspensões Hydrolastic e Hydragas, chama-se "The Hydragas Register", lá tem toneladas de informação útil ;)

EDIT: Caro @Pedro Seixas Palma, peço desculpa pelo meu post, não é minha intenção estar a desmentir nada nem ninguém. A sua informação é correcta excepto o gás, que não é azoto, e o tipo de ligação. O tipo que referiu é do Rover 100, o Metro é diferente. Quanto ao restante é mesmo isso. Eu também tive que ir ver uns apontamentos para não me enganar, é fácil fazer essas trocas pois há muitas configurações diferentes ;)
 
Última edição:

Pedro Seixas Palma

Pre-War
Premium
Portalista
Não adianta adicionar fluído , o problema é falta de gás.
@Rafael Isento , azoto e nitrogénio são uma e a mesma coisa. Quanto à ligação frente-trás, a Hydragas começou por ter no Allegro, depois deixou de ter no Metro, e depois voltou a ter no Metro/100 e no MGF. Para o caso é indiferente se tem ou não .
 

Rafael Isento

33 Boxer 1.5
Membro do staff
Portalista
Não adianta adicionar fluído , o problema é falta de gás.
@Rafael Isento , azoto e nitrogénio são uma e a mesma coisa. Quanto à ligação frente-trás, a Hydragas começou por ter no Allegro, depois deixou de ter no Metro, e depois voltou a ter no Metro/100 e no MGF. Para o caso é indiferente se tem ou não .
Pois, faço sempre esta confusão :D é uma deformação profissional. No meu meio Azoto não é um termo aceitável, só se usa em Portugal. Devido ao meu trabalho o termo usado sempre foi Nitrogen (Nitrogénio).

Bom, confusões à parte, independentemente de o gás se perder (a Dunlop estimava que a vida útil das botijas eram 10 anos) o importante é a membrana. A câmara do gás é selada e não tem manutenção, a ideia inicial era de ao fim de 10 anos serem trocadas. Contudo as últimas Dunlop foram fabricadas há mais de 15 anos, o que possa existir em stock está fora de validade. Alex Moulton, o criador do sistema, face à escassez de peças de substituição escreveu um boletim técnico de como recondicionar o sistema e onde descreve como reparar a câmara de gás. Portanto, desde que a membrana esteja em bom estado há esperança...
 
OP
OP
bruno 1301

bruno 1301

YoungTimer
Obrigado a todos pela informação.
Na zona de Coimbra há alguém que faça este serviço?
cumprimentos
 

Rafael Isento

33 Boxer 1.5
Membro do staff
Portalista
Infelizmente só conheço no Porto e arredores.
Sei que em Santa Maria da Feira há uma oficina que tem a maquineta, mas não conheço.
O ideal é perguntar a algum agente MG-Rover que ainda esteja em actividade.
 
OP
OP
bruno 1301

bruno 1301

YoungTimer
Se tirar todo o fluido existente todo e fizer vácuo, e se injectar o fluido do sistema hydrolastic a suspensão não ficaria um pouco mais mole?
 

António M. Vieira e Sousa

Gentleman Driver
Bruno,
Parabéns pelo Metro Surf.

Em Inglaterra ainda se encontra isto à venda:

screenshot.40.jpg
screenshot.41.jpg
 

Anexos

  • screenshot.40.jpg
    screenshot.40.jpg
    273.1 KB · Vistos: 102
  • screenshot.41.jpg
    screenshot.41.jpg
    217.2 KB · Vistos: 97
Última edição:

Guilherme Bugalho

BUGAS03
Portalista
Se tirar todo o fluido existente todo e fizer vácuo, e se injectar o fluido do sistema hydrolastic a suspensão não ficaria um pouco mais mole?

Caro amigo
"Hidragas" e "hydrolastic" são sistemas diferentes .....

A "moleza" da suspensão (no hydrolastic) tem a ver com a pressão dada ao sistema ... podendo chegar a rebentar com a borracha das botijas.
 

António M. Vieira e Sousa

Gentleman Driver
Entre 1987 e 1993 tive dois MG Metro que sempre que vinham de uma revisão no concessionário traziam a suspensão muito cheia e saltavam que nem saltitões, o que não convinha, então eu esvaziava um pouco as botijas deixando aproximadamente 3 cm entre a parte superior dos pneus e os aros dos guarda-lamas resolvendo assim esse problema só que as membranas separadoras do fluído e do gás estavam em perfeitas condições.
 

Guilherme Bugalho

BUGAS03
Portalista
Entre 1987 e 1993 tive dois MG Metro que sempre que vinham de uma revisão no concessionário traziam a suspensão muito cheia e saltavam que nem saltitões, o que não convinha, então eu esvaziava um pouco as botijas deixando aproximadamente 3 cm entre a parte superior dos pneus e os aros dos guarda-lamas resolvendo assim esse problema só que as membranas separadoras do fluído e do gás estavam em perfeitas condições.



No hydrolastic existem dois métodos (consoante a marca) para medir o "carregamento" ...
Pode ser pela pressão dada ao sistema pela/na máquina, lendo o manómetro dela ....
Ou ainda e também medindo a altura do chassi ao chão, medida em pontos específicos.
 

António M. Vieira e Sousa

Gentleman Driver
screenshot.43.jpg

Donde se depreende que a diferença entre o hydrolastic e o hydragas está no material que tem a função de mola; hydrolastic, borracha; hydragas, nitrogénio/azoto já que a função de amortecedor nos dois tipos é exercida pelo fluído, um género de anti-congelante.
 

Anexos

  • screenshot.43.jpg
    screenshot.43.jpg
    294.9 KB · Vistos: 97
Última edição:


Viva

Mas que belo tópico!

Afinal ainda há quem saiba sobre estas suspensões. Ainda bem.

Já aqui foi explicado como as suspensões funcionam. o que interessa agora, é recolocar a suspensão do Metro Surf em condições.

Eu tenho reparado as suspensões dos meus Metro, sem problemas. É preciso ter muito cuidado ao fazer a reparação, para não se destruírem as botijas, furando a membrana que separa o gás do líquido. Como a câmara superior onde deveria estar o gás (azoto) está vazia, com a pressão do líquido, a mesma começa a encostar à parede superior da botija, que tem um espigão, e que por vezes fura a membrana, inutilizando a botija. Da mesma forma, quando se fizer o furo para se colocar a válvula, é preciso ter muito cuidado para a broca não furar a dita membrana, com as mesmas consequências. No inicio de reparar as botijas, ainda inutilizei duas.
O método que adoptei, é fazer o furo mesmo no topo da botija, onde se encontra uma ligeira elevação. Esta pequena elevação é onde se encontra o espigão que mencionei acima. Este método para as botijas traseiras não traz nenhum inconveniente, pois há espaço suficiente no carro por detrás da botija para caber a válvula. À frente é que já temos que fazer um furo na chapa da carroceria que fica mesmo por cima da botija para termos espaço para a válvula. Mas eu prefiro fazer este furo, do que destruir botijas na reparação das mesmas. Caso não queira fazer este furo, é colocar a válvula desviada do topo. atenção que tem que ser bem visto o local onde aplicar a válvula, para depois não ficar a bater na chapa da carroceria.

Antes de se retirarem as botijas do carro, estas devem ser totalmente despressurisadas.

Com as botijas retiradas do carro, com uma pistola de vácuo, tentar fazer vácuo na câmara inferior, através da válvula existente (nas de trás não tem válvula, mas apenas um orifício, pelo que temos que colocar um pipo de roda encostado ao orifício) de modo a tentar desencostar a membrana do topo da botija, para que a mesma não se fure com a broca.
Fazer um furo no topo da botija onde se encontra a tal saliência. Aconselho a colocar um limitador no berbequim, para evitar que a broca entre demasiado na câmara. após o furo aberto, retirar todas as limalhas que caíram para dentro da botija, com ajuda de um iman potente.
Para se colocar a válvula na botija, eu utilizo uma peça feita por um torneiro, que vai ser soldada à botija, que tem um furo roscado para se enroscar a válvula. Como a rosca das válvula é muito especifica, refaço a rosca da válvula de modo a ficar concordante com a rosca da peça. A válvula é então enrroscada na peça que já está soldada, coloocando um o-ring entre a anilha fornecida com a válvula e o topo da peça. Ter cuidado com o topo da peça para que seja o mais perfeito possível para ter o máximo de estanquicidade possível. Colocar também cola de roscas quando se enroscar a válvula. Antes de soldar a peça à botija, empurrar a membrana o mais para baixo possível com ajuda de uma barrinha romba (para não ferir a membrana), para não correr risco de queimar a membrana durante a soldadura.

Após a válvula estar aplicada, e deixando o tempo necessário para a cola de rosca secar, é encher a câmara com gás. Eu utilizo ar em vez de azoto por ser mais acessível. Utilizo um compressor normal para encher até aos +- 7 bares ( o que o compressor der ) depois com uma bomba de alta pressão manual, encho até aos valores pretendidos. As da frente até 20,5 bar e as traseiras até 15 bar. Se quiser o carro mais confortável, encho um pouco mais as botijas traseiras, a gosto.
Depois é montar, fazer vácuo e carregar de liquido até à altura desejada.

Se tiverem alguma dúvida disponham

Abraços
 
Topo