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Revista Motor Clássico nº27 - coisas à portuguesa...

Tópico em 'O nosso hobby: Clássicos' iniciado por Fernando Baptista, 5 Mai 2009.

Tópico em 'O nosso hobby: Clássicos' iniciado por Fernando Baptista, 5 Mai 2009.

  1. Vivam

    Não sou, actualmente, um comprador assíduo de revistas, mas como aproveitei o fim de semana comprido para uma saída da capital com a família e precisava de leitura, à falta de melhor resolvi aventurar-me e lá comprei um exemplar desta revista.

    Já tinha visto, e até comprado, alguns (muito poucos) exemplares e tinha ficado desiludido com as "referencias menos verdadeiras" que lá apareciam.

    E não é que foi com grande surpresa que reparei, na página 53, a referencia a uma do carros que participam no nosso "Campeonato de Clássicos".

    Trata-se de um Ford Escort 1300 GT, apenas tem umas coisinhas estranhas... Segundo lá aparece trata-se de um veiculo da categoria Gr.2/H74/Cl.4... O não é que está equipado com um motor BDH!!!! E o carter seco???

    Desde quando há homologação em grupo 2 até 1974 (espero que sejam referencias FIA pois não me surpreendia que fosse outra coisa qualquer) para este tipo de motor neste carro?

    Sinceramente nem creio que terá existido homologação FIA para os BDH pois correram oficialmente tão poucos (1 ou 2) que se existir é só para grupo 5 (acho que o Escort só é homologado em grupo 4 com o mk2...). Naquela altura haviam provas que não requeriam homologação por se tratarem de provas de velocidade específicas de certas competições mas isso não quer dizer que possam ser usadas actualmente.

    Será que alguém me poderá mostrar alguma vez a homologação em grupo 2 dos carburadores Weber nos Minis até 1974?

    É por estas e por outras que nós temos a estranha capacidade de estragar todos os campeonatos de velocidade automobilística que criamos.

    Como existe sempre alguém que acha que tem de ser superior aos restantes e porque sofre de um narcisismo extremo, considera que tem de "dobrar" as regras de qualquer competição a seu favor.

    Isto já ocorreu imensas vezes e sempre com o mesmo fim trágico... Por exemplo, no troféu Datsun 1200, um campeonato feito para ser idêntico para todos os participantes foi levado a um fim menos digno depois de alguns dos concorrentes terem começado a "entender" as regras de forma mais particular e a investir quantias totalmente inimagináveis em motores que de nada já eram os regulamentares. É lógico que sempre que a organização (que já, por medo, nem questiona) colocava em causa os mesmos eram sempre alvos do mesmo tipo de respostas cobardes por parte desses participantes - "Não abrem o meu motor porque desisto da competição!".

    É lógico que isto leva a uma escalada de preços que provoca a desistência de todos os outros concorrentes.

    Foi isso que em tempos passados me fez abandonar a competição de clássicos pois considero que as regras têm de ser idênticas para todos e que não poderá ser a "esperteza matreira" o factor de diferenciação. Estava farto de estar numa competição onde o meu carro era dos muito poucos de acordo com ficha de homologação e que apenas servia para aumentar a lista de participantes.

    E depois é giro que há, por parte dos mais velhos, sempre a mesma resposta descabida - "Mas este carro correu assim em Portugal (ou em Angola) no ano 19XX" como se isso fosse sinónimo de estar obrigatoriamente de acordo com qualquer especificação definida pela FIA para essa categoria. Sim porque nesse caso é a FIA que está sempre errada, eles é que sabem!

    Lá estou eu outra vez a falar nas minhas experiências noutras terras mas a verdade é que se virmos uma competição de clássicos (não é de troféus de minis ou afins) com regras FIA em Inglaterra, França ou Alemanha vemos que os participantes têm em atenção factores como a especificação de materiais usados nas cambotas, bielas, válvulas, etc. de modo a que estejam de acordo com a época e respectiva ficha de homologação (ex: se um carro apenas pode usar uma cambota em EN19 então não poderá ter uma em EN40).

    Basta ir a uma das provas internacionais de clássicos no Porto ou Lisboa e ver a diferente forma de encarar estas competições... lembro-me de uma corrida em Sintra em que participaram viaturas de um troféu francês (-1000cc???) com os do campeonato 1300 e via-se. Para já não falar das competições na Boavista e no autódromo onde se podem comparar os Escorts Mk1 portugueses com motores BDG feitos com materiais da década passada e os Ingleses ainda com as bombas de travão originais.

    Fica aqui a minha opinião. Estou ciente que enquanto a nossa mentalidade não se alterar não vamos conseguir nunca evoluir.

    Abraços
     
  2. Excelente texto Fernando! Obrigado pela aula do sub-mundo da competição e por esta tentativa de consciencialização das mentalidades lusas... o caminho é este!

    Refira-se que não é um mal exclusivamente nosso, os nossos "primos" de Espanha e Itália também têm como tradição ganhar a qualquer custo. A solução passa por quem deve fazer cumprir as regras: se é para abrir abre-se! Se quiser desistir ajuda-se a encontrar a porta!
     
  3. Fantastico texto, assim se entende o actual estado da velocidade Portuguesa... E das rampas e etc, pois parte tudo do mesmo principio, que é querer andar nisto para ganhar e ter prestigio e aparecer nas revistas e jornais, o pobre coitado que toda a vida sonhou em competir, e que ja "passou fome" para realizar o seu sonho, é sempre renegado para segundo plano... Típico...

    Obrigado pela consciencialização Fernando, este texto devia chegar aos olhos das pessoas que fazem essas mesmas acções...

    Continue sempre com esse espírito critico, só assim se consegue melhorar as coisas, ou não...

    cumprimentos.
     
  4. Só não percebo porque a FIA faz ouvidos de mercador... Ou será que ninguém comunica estas situações???
     
  5. Vivam

    Obrigado pelos comentários.

    Qualquer pessoa que tenha um conhecimento acima do normal sobre este tipo de actividade (e todos nós o temos porque estamos directamente ou indirectamente envolvidos no restauro, comércio ou simples uso deste tipo de viaturas) fica chocado ao ver competições que mais não são do que carrocerias com base em carros clássicos equipadas com componentes modernos.

    Vejam novamente o exemplo actual do nosso campeonato, onde há Datsuns 1200 (ex-troféu, isto é, supostamente quase standard) a bater-se com viaturas com capacidade de homologação de peças que lhe dariam uma vantagem de performance enorme e nem os conseguem apanhar!

    Não me digam que a diferença está no piloto porque não acredito! Para além do facto de não sermos um país de Sennas e Schummakers, mesmo esses não poderiam fazer tamanha façanha.

    Lembro-me de um caso, há cerca de 10 anos, estava eu pelas ilhas da Bretanha :feliz: quando tive conhecimento da construção de um carro (Escort mk1 RS1600) por uma empresa que ficava relativamente perto do sitio onde vivia, até onde conhecia uma das pessoas que lá trabalhava.

    Resolvi então, como qualquer outro apaixonado, ir ver o dito cujo e dispor-me a perder um pouco saliva.

    Não é que me deparo por uma carroceria toda arranjada (e muito bem diga-se) e um motor ainda desmanchado com base no BDG, bloco em alumínio, cambota EN40B de 84mm, bielas em "H" de EN24V e pistões de 92mm...

    Perguntei ingenuamente, para quem era esse motor que deveria ficar com cerca de 2200-2300 cc. Não é que me responderam que era para um português, para correr no nosso país? Só para terem uma noção, o investimento foi cerca de 50000 libras (a Libra era a mais de 300 escudos)! Fora o que é necessário para o manter!

    Actualmente deverá andar para aí mascarado de Escort RS1600 com uns documentos de Escort 1100.

    Não tenho nada contra as pessoas que estão dispostas a investir esta quantia e até mais num carro, até pelo contrário! Acho muito bem que se invista e o bom trabalho é caro. Apenas fico desiludido quando estes carros estão em "ligas" que não lhes são as devidas e mascaram-se de cordeiros para disfarçarem, aí sim, as capacidades de condução menos boas dos donos.

    Outro facto que também de deixa perplexo nas nossas competições é a alteração mágica do modelo da viatura. Nos outros países só se pode correr com um Mini Cooper S caso se disponha de uns documentos válidos e respectiva viatura. No entanto por cá, podemos ter um Mini 1000 MkIV como sendo um Cooper S Mk1 ou um Escort 1100 com a motorização RS1600!

    Esta razão não deveria castrar o desejo de ingressar na competição automóvel, até pelo contrário. Para quê investir num Mini para ficar parecido com um Cooper Grupo 2 quando poderiamos usar um Fiat 124 Sport em Grupo 1 ou mesmo 2?

    E depois os "entendidos" vêm logo a dizer - "Ah! mas os Escorts RS1800 também não eram os modelos originais mas sim simples Escorts 1100 que foram adaptados pela fábrica!". Alias todos conhecemos um desses casos - o conhecido Escort Mk2 da Diabolique! Pensavam que de livrete era um RS1800?

    Meus Senhores, isso não os faz legais à luz do regulamento de clássicos da FIA! Sinceramente tenho muita pena mas as regras são claras! Porque é que pensam que estes carros nunca poderão entrar em competições internacionais?

    É isso que algumas pessoas parecem não compreender. Lá porque determinado carro faz parte da história do nosso parque automóvel não quer dizer que possa ter livre acesso a tudo o que é competição.

    Pois foi mais um desabafo. Não sou apreciador de futebol mas a situação é quase idêntica... Quando é que os legisladores desportivos vão deixar de se intimidar com os concorrentes, só porque estes trazem um historial às costas?

    Abraços
     
  6. Excelentes textos. Demonstram bem a podridão que existe neste ramo..... o_O

    É por estas e por outras que nem sequer penso em me aventurar a fazer umas provas.... Gastar €€ para depois fazer figura de urso...... o_O

    Mais um tempito e estas corridas acabam.... pelo menos já perderam todo o interesse :huh:
     
  7. Eu era miudo mas conheci pessoalmente o Engº Jeremias Acácio, era uma autoridade técnica e moral na competição dos anos 60 e 70, faz muita falta alguém assim.
     
  8. eu, que nao tenho conhecimento de causa, fico triste por saber que isso se passa.

    é por isso que me tenho batido pela originalidade e fidelidade.
     
  9. Fernando,

    Obrigado pela partilha da opinião que não andará muito longe da verdade.

    Não percebo nada de homologações mas não me espanta o panorama que traças-te por dois motivos;

    1-Num pais em que ser chico(a) esperto(a) pode ajudar a ser presidente de câmara ou ate "pm" é "natural" que esse tipo de comportamento se verifique noutras áreas da sociedade.

    2-Numa das corridas do ultimo Grande Premio do Porto, um Lola T70 amarelo (creio que do Carlos Barbot) foi impiedosamente perseguido por um desses Escorts, num quase mano a mano e uns segundos atrás vinha um mini 1275gt....
    O mini só durou uma voltas mas o Escort aguentou muito mais


    nuno g
     
  10. Eu que não pecebo nada de homologações, tinha ficado um pouco reticente em relação à potência do referido carro quando li o artigo da Motor Clássico. Ainda hoje tinha comentado isso com o meu pai, o facto de um 1300 c.c. com 180 cv poder concorrer com adversários, com quase metade da potência.

    Depois de ler os seus textos, fiquei esclarecido. A trafulhice e a batota, estão completamente enraizadas na sociedade portuguesa. Há que contrariá-las e neste caso expor a situação à própria revista em causa.
     
  11. Esses rumores há muito que correm, mas porque não são desenvolvidas acções para legalizar e moralizar esta actividade, isto é: disciplinar e tornar as provas mais atractivas e os pilotos regressarem e fazerem aquilo que mais gostam.
    Joaquim Jorge a Carlos Santos em Francorchamps
    YouTube - RMU Classic @Spa Francorchamps 2009 GTC-TC 71-81
     
  12. Meu caro amigo Manuel Dinis

    Não são rumores... tratam-se de factos que apenas quem não quer é que não vê.

    Acha que a não existência de homologação para um determinada peça de motor não é facto suficiente para a sua interdição?

    Infelizmente quem organiza este tipo de provas está refém de um certo número de intervenientes famosos da nossa praça e não quer arriscar a sua não inclusão nas provas respectivas sob o pretexto das provas deixarem de ser atractivas.

    Todos nós gostamos de ver "carrões" a andar depressa e para as pessoas que assistem é bastante mais apetecível.

    Abraços
     
  13. Embora concorde, no geral, com o que diz o Fernando Batista, gostaria apenas de salientar que este fenómeno de modernizar os automóveis clássicos de competição tem estado perfeitamente generalizado na Europa e é muito difícil de erradicar. Desde 1996 que vejo com frequência provas em Inglaterra, assistindo a performances dos carros que nada têm que ver com as capacidades que manifestavam no seu tempo.

    É verdade que diversos organizadores têm vindo a combater essa situação, mas, em Portugal, as organizações não têm conseguido fazer frente a essa situação, com a excepção feita ao Troféu Datsun, onde as verificações e desclassificações foram uma constante. Honra feita ao José Megre. Claro que, tratando-se de um troféu monomodelo, as facilidades eram maiores. A diversidade de modelos obriga a uma investigação e conhecimentos que não estão aparentemente ao alcance da entidade federativa, ou porque não pode, ou porque não quer.

    Já não percebo bem como transforma esta situação numa falha da revista Motor Clássico, a única que, desde o seu aparecimento, se dedica a acompanhar os clássicos de competição com regularidade e esforçando-se para mostrar todos os participantes, quer os que ganham, quer os outros. Além disso, temos constantemente alertado para as falhas de organização e mesmo as irregularidades que detectamos - não podemos mandar desmontar motores ou fazer medições, como calcula - com o rigor possível, visto também trabalharmos com base nas informações que recebemos, directa ou indirectamente dos intervenientes.

    O que nos recusamos fazer é voltar as costas ao desporto de que tanto gostamos, só porque muitos consideram que se trata de uma causa perdida. E já que dispõe de tanta informação, aparentemente útil, porque não disponibilizá-la, por exemplo, à associação de pilotos, que parece ser uma das poucas entidades com vontade e capacidade de modificar o estado das coisas?

    A revista Motor Clássico cá estará, na linha da frente, a fazer o seu papel em prol de mais esta manifestação dos veículos históricos.
     
  14. Caro Adelino

    Nunca referi que situações como esta são ou têm qualquer coisa a haver com a Revista.

    Apenas referi que foi lá que constatei que existia uma viatura com as características que referi.

    VIVA A REVISTA MOTOR CLÁSSICO!!! Que continue por muito tempo a fazer o trabalho que tem feito.

    Fiz, várias vezes, num passado já longínquo muitas queixas, também por escrito, à FPAK do sucedido sem nunca ter tido resposta.

    Em letrinhas muito pequeninas... indirectamente estive envolvido no trofeu Datsun e deixe-me dizer-lhe de deveriam ter feito muito mais vitorias... mais isso já passou e são aguas passadas.

    Em relação às provas em Inglaterra, pois sim, os Jaguares E-type estão a andar muito mais do que andavam na altura, entre outros.

    Mais uma vez, acredito que tenha compreendido de forma errada as minhas palavras em relação à Revista, a quem não se pode atribuir culpa nem desta ou de outra causa do género.

    Abraços
     
  15. Muito bons textos pessoal...

    É um prazer ler os vossos argumentos. Neste momento nem tenho bem opinião formalizada, ate porque a questão não é simples...

    cumprimentos.
     
  16. Fernando,

    começar um tópico com o título:

    "Revista Motor Clássico nº 27 - coisas à portuguesa..." não é o ponto de partida ideal para para elogiar ou incentivar o nosso trabalho. A não ser que seja para exacerbar o nosso nacionalismo - que não é preciso, porque temos muito orgulho em sermos portugueses, embora às vezes não saibamos bem porquê...;) - mas, nesse caso, deveria ter um ponto de exclamação no fim: coisas à portuguesa! :D

    Em tom mais sério, aceito a sua explicação mas, de futuro, peço-lhe que procure não misturar críticas a outros assuntos com a revista Motor Clássico, apenas porque veícula a realidade, porque não é justo para com a equipa que a procura fazer com rigor e qualidade, todos os meses.

    Um abraço
     
  17. Má escolha de título... não foi com essa intenção!

    Meu culpa.

    Abraços
     
  18. Revista Motor Clássico - Mais coisas à portuguesa...

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  19. Não fazia ideia deste tipo de coisas nas corridas de classicos...

    Apenas vejo uma por ano... Caramulo e realmente ligo nada ou quase nada aos resultados porque nota-se que muito do que la anda é pura e simplesmente modificações a carros que foram noutros tempos os melhores, claro que é só a minha opinião...

    Abraço a todos
     
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