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Restauros - A Magia e Arte

Tópico em 'O nosso hobby: Clássicos' iniciado por Luis C Matos, 10 Set 2011.

Tópico em 'O nosso hobby: Clássicos' iniciado por Luis C Matos, 10 Set 2011.

  1. Boas pessoal,

    De uma forma geral, aqui e acolá, tenho vindo ao longo de mais de 5 anos a observar em muitas pessoas a preocupação em restaurar os seus carros com peças originais. Erros e uma certa desilusão é quanto tenho visto em muitos proprietários.

    Todos quanto até agora tentaram restaurar automóveis antigos, por sua própria experiência, depressa descobriram que nem sempre há as peças em original. Razões aos milhares não faltam pelos 4 cantos, em muitos lados, mas a resposta que mais sobressai é a falta de peças e a sua não fabricação contínua já que a viatura está ultrapassada e longínqua em termos de anos em relação à actual tecnologia de fabrico automóvel que muda a cada ano.

    Há, pois, partes das viaturas que podem ser substituídas por peças originais e há outras, pois, que só podem ser substituídas pelas que existem no mercado actual e disponíveis em segunda mão.

    Conservar uma viatura com uma matrícula que seja de 1960 para a frente é uma dor de cabeça a quem as possui e tenta, por todos os meios, conseguir o máximo de originalidade tanto para lhe conferir o estatuto de clássico quanto para manter a sua original beleza dos seus tempos áureos onde estava no auge da idade do automóvel.

    Hoje em dia, felizmente e infelizmente, há ainda algumas peças que se podem aproveitar, mas quando existindo noutros formatos é melhor que seja substituído o conjunto do que manter dois diferentes e isto é o que tenho aconselhado a muita gente no caso dos espelhos retrovisores onde havia uma viatura que tinha dois idênticos mas cujo desenho não era igual aos do modelo do seu carro.

    As borrachas das portas, malas e capote da mala, puxadores, bancos traseiros e dianteiros, capas de lona, vidros dianteiros, laterais e traseiros, panelas de escape, tampas de boca de combustível e radiador, frisos, puxadores de travão de mão e caixa de velocidades, manípulos elevadores de vidros e puxadores dos trincos das portas, botões de comando eléctrico e espelhos retrovisores, alcatifas e uma diversidade de outras peças entre as quais tubos de água, abraçadeiras metálicas, farolins e borrachas dos mesmos, escovas limpa vidros e braço mais diverso material entre os quais não me escapa as jantes podem ser substituídos por outros desde que pertençam a mesma marca ou sejam adaptáveis à situação que é exigida para conservar a viatura o mais fiel que possa haver.

    O único mal que encontrei é haver uma tendência de muitos proprietários em baixarem os braços perante a situação da falta de peças. Há casos levados a extremos limites onde não encontrando pneus com a famosa risca branca logo desistem de dar mais continuidade ao que quer que seja, arrastando as viaturas para a garagem onde permanecem anos abandonadas ao seu mortuário imerecido.

    Por causa destas e de outras determinadas pessoas que conheço, após uma consulta a algumas oficinas, resolveram não mexer palha. Levaram as viaturas de volta e durante anos mantêm as mesmas no exterior do seu espaço de garagem totalmente ao sabor dos Verões e Invernos e servindo unicamente para os seus cães e gatos se sentarem em cima.

    Há, a meu ver, uma infundada suspeita, da parte de quem pretende restaurar e restaura as suas viaturas, que se não obterem as peças em falta originais logo existe uma alta desvalorização das suas viaturas. Tal não é verdade já que no caso dos óleos, filtros, velas, correias, espelhos retrovisores, vidros, cobertura de bancos, alcatifas e até pinturas muita coisa já não é possível conseguir tão original quanto aquela com que a viatura veio de fábrica.

    A maior desvalorização ocorre pelo descuido do seu proprietário, pelo próprio baixar de braços e não pela culpa de falta de peças que apesar de serem de um modelo caberão certamente em outro já que os mesmos não entendem que há muitas carroçarias diferentes com aplicação das mesmas peças e que é um caso que se verifica em muitos construtores que variando modelos continuaram a aplicar no interior e exterior as mesmas peças ou dando-lhes uma certa variação na construção do modelo que afinal bem se aplica a 100% noutro qualquer modelo mais antigo ou mais recente.

    O meu conselho, no caso das borrachas das portas é do que se vai substituir só uma batente de porta, logo mais vale que substitua todo o conjunto das 2 ou quatro portas existentes e restantes de modo a conseguir a melhor opção de fazer sobressair todo o conjunto em vez de ter uma borracha nova numa porta e todas as restantes terem um aspecto envelhecido.

    Já no tejadilho de abrir é e tem sido o meu conselho que seja substituído não só o vidro como também as borrachas estanques dos mesmos já que o tempo e a natureza poderão ter desgastado a resistência de estanquicidade do conjunto. O mesmo tem sido da minha opinião para os puxadores das portas e para os frisos metálicos exteriores e interiores.

    No caso das capotas há um quem até aconselhe a retirar todo o conjunto de molas de encaixe rápido por outras novas de modo a garantir maior segurança e maior durabilidade. E, no entanto, com simples conselhos não é pela substituição de algumas peças que vai haver uma imediata e elevada desvalorização da viatura e se assim o fosse e eu começasse a avaliar uma viatura de 1969, por exemplo, chumbava a mesma sem mais nem menos só por ela possuir sistema de alarme, coisa que era impensável nessa longínqua época dos nossos bisavôs e que me diz que alguém andou a mexer na instalação eléctrica para além de acresventar novos corpos de alojamento de fusíveis e uma série de furos na chapa para os tais botões de disparo do alame.

    Estou a imaginar, pois, que um dia destes me vai calhar um proprietário de uma viatura com mais de 50 anos e que exige a todo o custo que a mesma seja pintada tal e qual o era há 50 anos atrás. Ficarei a pensar que perdi um cliente e até mais um negócio fácil, mas no fim ficarei, feliz, a pensar que por mais voltas que ele dê não lhe será possível conseguir quem formule as tintas com alta concentração de chumbo e quanto muito terá que optar pelas que existem quanto mais que lhe soldem as várias partes da carroçaria com chumbo de alta concentração e de cuja alta toxicidade escapei graças a um qualquer bom espírito que por ali passava e interviu no tempo adequado.

    Hoje em dia o mercado das peças é o que têm à vista. Tecidos idênticos em padrões e cores, molas iguais em diâmetro e altura e largura, peças da concorrência que com uma pequena pitada de sorte ainda se conseguem tal e qual os desenhos das originais, cores que podem ser afinadas ao ponto de serem tão idênticas que no fim não há diferença entre as antigas e as modernas e obter uma viatura o mais fiel e original a sua época áurea é o que muitos colegas de artes têm tentado, o mais possível. fazer, ou seja, há alturas em que faz das tripas coração.

    E no final, muitas vezes, ao fim de uma árdua luta e já com a viatura a sair pela porta fora sentamo-nos a um canto a beber uma bem merecida cerveja e olhando uns para os outros só podemos chegar a uma conclusão e esta é a vez em que tivemos imensa sorte em conseguir todas as peças de uma outra viatura encontrada numa sucata distante que, felizmente e por intervenção divina, saiu da mesma linha de montagem da que o cliente possuía e que tanto nos consumiu até nos aparecerem mais alguns cabelos brancos do que aqueles que já havia há 3 ou 4 dias atrás e se estes não apareceram o mais certo é termos perdido mais uns tantos quantos que por sua vez deixarão a reluzente careca cada vez mais à mostra e mais brilhante.

    Valerá a pena? Talvez, mas nestas artes e magias de resolver problemas nem tudo é um mar de rosas e somente um enorme caminho de parafusos e porcas onde se tropeça a cada passo.

    O resto é e será uma história para contar, futuramente, num conjunto de amigos que fizeram circulo em volta de uma quente lareira e cada um com o seu copo daquele vinho vintage que tanto nos custou a arranjar e para o qual exigimos não só produto original quanto também garrafa, rótulo e rolha tal e qual era no tempo e ano em que viemos ao mundo, e à roda desse aconchegante fogo cada um lá contará a suas aventuras de restauro no mundo automobilístico e que irão dar lugar a efémeras e saudosas lembranças de dores de cabeça e de um tempo sem regresso.

    Lá para o fim, despedindo-nos uns dos outros ficará uma única palavra no ar: “missão cumprida”.

    Cumprimentos
     
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