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O Poço Da Morte Em Portugal

Tópico em 'História e Cultura' iniciado por João Duque, 23 Mai 2014.

Tópico em 'História e Cultura' iniciado por João Duque, 23 Mai 2014.

  1. Os olhos do ti Henrique, aliás, Henrique Amaral, 80 anos, brilham quando um a um os espectadores do último Poço da Morte em Portugal descem as escadas e formam uma pequena fila para o cumprimentar. Apesar de, bem ao lado, possuir um pavilhão de espelhos, o Risoterapia, só a adrenalina do fundo poço de madeira o faz vibrar: as acelerações em rodopio, as palmas enquanto gira como um pião enlouquecido e ergue a bandeira nacional de olhos vendados.

    Ver anexo 338628Ver anexo 338629Ver anexo 338630Ver anexo 338631Ver anexo 338632

    "Vou continuar enquanto tiver saúde", explica o "ti Henrique", em plena confusão das Feiras Novas, a grande romaria de fim de Verão em Ponte de Lima.
    Nas Feiras Novas, durante três dias, cruzam-se bandas filarmónicas, ranchos de folclore, concertinas, desgarradas, um mar de gente circulando, mal, pelas atracções, pelas tendas de comes e bebes, pelas centenas de barracas e roulottes de feirantes.
    Henrique, beirão de Mangualde, é um veterano e um pioneiro, que viu o seu primeiro poço na Feira de São Mateus, em Viseu, há muitos anos. "Eram italianos, eu tinha oito anos e nunca mais esqueci aquilo. Era o que eu queria".
    Mais tarde, surgiram os poços nacionais e Henrique começou a aprender e a exibir-se num deles, aos 18 anos.
    Ainda trabalhou numa esfera da morte, a mesma que mantém arrumada por não ter quem trabalhe nela e aos 40 mandou finalmente construir em São João da Madeira o seu poço.

    Na última década, para desgosto de Henrique, a atracção esteve semi-parada até que a SIC o descobriu e transmitiu uma reportagem em horário nobre. "Foi há três anos. O pessoal lembrou-se e começou a querer ver outra vez, muitos trazem os filhos que não conheciam isto".

    Encontrei o quarentão Poço da Morte de Henrique Amaral enfiado a um canto triste da feira.
    Por momentos, temi que nem viesse a funcionar. "Sim, trabalha", explicou um determinado Henrique, "à noite, só à noite".
    Quando por lá cheguei, atravessadas as luzes feéricas e tentadoras das grandes atracções modernas, jovens em cadeiras de cabelos para o ar, a gritar como possessos e a ser sugados no ar como marionetas, não vi ninguém. Junto à velha bilheteira, nem uma alma.

    Aos poucos, vindos não se sabe de onde, foram aparecendo aficionados acedendo ao chamamento de Henrique ao microfone:
    "Faça como São Tomé, venha ver para crer".
    Alguns, são nostálgicos dos velhos tempos, outros habitués. "Sempre que ele vem a Ponte de Lima, não perco um", confessa um homem, "só não trouxe o meu miúdo porque tem medo. O velho (Henrique do Amaral) é um espectáculo!"

    Afinal, subidas as escadas em madeira, Henrique e Carlos, o seu empregado e colega, acabam por exibir as ruidosas máquinas rodopiantes perante um povo caloroso, que não regateia aplausos. "Obrigado, muito obrigado!", agradece embevecido, no fundo do poço, o artista, o veterano, vestido com um fato laranja que o faz parecer um octogenário astronauta, 80 anos feitos em Fevereiro.

    Apesar da idade, da placa e dos parafusos numa perna, dos maldito ácido úrico e reumatismo, dos pedidos dos familiares, ninguém o consegue tirar dali.

    Muito menos agora que renovou toda a madeira e parafusos do Poço da Morte: "Está aí madeira para durar mais vinte anos. Se calhar", diz a rir, "eu é que não duro mais 20 anos". Apetece dizer: "Dura, então não dura!".
    Se depender do optimismo e fé na vida de Henrique, o último dos quatro poços da morte que existiam em Portugal eternizar-se-á, perdurará sempre, como um ícone, um último bastião do que eram e são as nossas feiras. Afinal, o que será das feiras portuguesas sem o seu poço da morte, "a loucura sobre rodas, o total desprezo pela vida"?

    in Café Portugal,
    http://www.cafeportugal.net/pages/dossier_artigo.aspx?id=2591

    http://www.youtube.com/watch?v=GlUsnJs5wKI

    http://youtu.be/Bsi8rZt8z60

    Qual o futuro destas acrobacias de moto em Portugal?! Provavelmente o esquecimentocool.png

    Fiquei curioso ao saber que o meu avô, fui a um espectáculo destes em Abrantes no ano de 1945,

    Ver anexo 338633

    Alguém aqui da "Velha Guarda" conheceu ou ouviu falar sobre esta jovem senhora?laugh.png

    Esta foto é de 1945 na feira popular de Lisboa,

    Ver anexo 338634

    O que é passado é passado, mas façam o favor não o esquecer!cool.png

    Ver anexo 338635Ver anexo 338636
     

    Ficheiros Anexados:

  2. Vi-o uma ou duas vezes quando era pequeno e há 3 anos (penso eu) na Automobilia de Aveiro.

    É de cortar a respiração!
     
    João Duque gostou disto.
  3. acho que fiquei enjoado de ver o vídeo.ph34r.png
     
    João Duque gostou disto.
  4. Um espectáculo fora de série, sem dúvida. Já tinha lido sobre isto em revistas, mas infelizmente ainda nunca vi nenhum ao vivo.

    João, aquela última foto deixou-me curioso. Não apenas tem um carro, mas também leva um passageiro fora do vulgar... sabes mais detalhes?

    Um abraço e obrigado pela partilha!
     
    Hugo_Fiat 242 e João Duque gostaram disto.
  5. Eu já tive a oportunidade de ver duas vezes, uma delas devia ter uns 10 anos e foi o meu pai que me levou, adorei já na altura.
    Tenho quase a certeza que foi este poço da morte, na feira de Março em Aveiro
     
    João Duque gostou disto.
  6. Podes ver aqui Eduardo,
    http://www.rippin-kitten.com/2013/07/19/beyond-the-lion-drome/

    http://www.youtube.com/watch?v=8LqFApyS6Is
     
    Eduardo Relvas e Hugo_Fiat 242 gostaram disto.
  7. Que saudades da Feira Popular...
     
    João Duque gostou disto.
  8. Espectacular, obrigado! Estes tipos eram verdadeiramente destemidos...

    Podes crer... eu só lá fui em talvez meia dúzia de ocasiões, a maioria já durante os meus tempos de faculdade, mas era sempre divertido.
     
    João Duque gostou disto.
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