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O Computador Que Não Sabia Fazer Contas … Ou Que Embirrava Com O Piloto

Tópico em 'O nosso hobby: Clássicos' iniciado por Armando de Lacerda, 5 Mai 2008.

Tópico em 'O nosso hobby: Clássicos' iniciado por Armando de Lacerda, 5 Mai 2008.

  1. Inicio, assim, as minhas "croniquetas" aqui no portal, pedindo que me desculpem se defraudo as vossas expectativas

    Estávamos em 1972 e realizava-se o Rali da Petrangol, prova disputada à volta de Luanda numa extensão de, aproximadamente, 800 quilómetros.

    A organização estava radiante pois anunciava que, tal como no Rali TAP, os resultados seriam todos calculados pela via informática.

    Além deste anunciado avanço, a Organização estava de parabéns pois havia estruturado uma prova que não necessitou ser muito extensa para ser bastante selectiva. Tão selectiva que, dos 28 carros à partida, apenas 9 a conseguiram concluir.

    Consideramos apenas ter existido um pouco de exagero na realização de três troços cronometrados no Autódromo de Luanda pois, no nosso entender, bastaria um.

    Além de serem provas de vantagem absoluta para os carros mais rápidos, consideramos perigoso fazer disputar provas de velocidade pura depois de bastantes quilómetros de picadas demolidoras.

    Pena foi também que a Organização não tivesse podido fornecer, conforme havia previsto (seria o computador já a pregar partidas?), os resultados etapa a etapa o que teria permitido dar as saídas pela ordem de classificação.

    Isso teria evitado que o Fernando Coelho saísse para a terceira etapa na quinta posição quando, na altura, ocupava o terceiro lugar e ainda com a desvantagem de levar à sua frente um concorrente que ocupava o décimo lugar.

    À partida alinharam 28 concorrentes, pertencendo a maior representação à novel “écurie” do Sporting Clube do Huambo que se apresentou com seis carros constituindo duas equipas compostas da seguinte forma.

    EQUIPA A
    António José Oliveira/Carlos Melo – BMW 2002 TIIi
    Pedro Vieira de Matos/Patilhas – BMW 2002 TI
    Fernando Coelho/Aurélio Tavares – BMW 2002 TI

    EQUIPA B
    Noel Coelho/José Varela – BMW 2002 TI
    Raul Esperto/Zeca Gomes – Lancia HF 1300
    Emídio Poiares/Armando de Lacerda – NSU TT

    Desde que o Sporting Clube do Huambo formara a sua “écurie” de competição, apresentava-se em todas as provas automobilísticas alcançando sempre posições de muito mérito na tabela classificativa.

    Apresentava-se, aqui, com uma forte composição, disposta a conquistar os melhores lugares tanto na tabela individual como colectiva.

    Noel Coelho/José Varela que, na altura comandavam o Campeonato Estadual de Regularidade, viram-se afastados da prova, logo após o primeiro troço cronometrado, com rotura do tubo do radiador.

    Mais à frente e já após a desistência de Rui Barroso/Francisco Dinis em Saab Sonnet, Dárdano Alves/Dino Machado em Datsun 240-Z e Gouveia Sanches/Rocha e Cunha em Toyota 1200, Emídio Poiares/Armando de Lacerda vêem-se também obrigados a desistir com o apoio do motor partido.

    Esta desistência ficou a dever-se à falta de cuidado da oficina que fez a revisão ao carro, pois durante uma semana se havia insistido para que se mudassem os apoios do motor o que não se verificou.

    Antes do final da primeira etapa, desiste o terceiro representante do Sporting Clube do Huambo, Raul Esperto/Zeca Gomes com a caixa de velocidades partida.

    Apenas 14 concorrentes terminaram a primeira etapa, ocupando os restantes representantes do S.C.Huambo os três primeiros lugares da classificação, posição que mantinham no final da segunda etapa.

    Era de salientar a assistência mecânica dada pela Autocal aos três carros do Sporting e o entusiasmo do seu administrador, Dr. Manuel Motta Veiga, que durante toda a noite, juntamente com o director de corrida da “écurie” deram apoio moral à equipa.

    Na terceira etapa, apenas se deu a alteração entre o primeiro e o segundo classificado, que mudaram de posição, e o Fernando Coelho que baixou de terceiro para quarto.

    Não podemos deixar de fazer uma referência especial a António José Oliveira, o grande esquecido do Rali TAP, que mais uma vez, neste rali, mostrou as suas excepcionais qualidades de condutor.

    Na altura, já campeão estadual de velocidade, conquistava também o Campeonato Estadual de Regularidade vencendo as duas mais importantes provas deste campeonato: o Rali do BCA e o da Petrangol, apenas não se classificando no Rali da Senhora do Monte.

    A classificação final ficou assim ordenada:

    1º. António José Oliveira/Carlos Melo BMW 2002 TII – 30 455 pontos – S.C.H.
    2º. Pedro Vieira de Matos/Patilhas – BMW 2002 TI – 30 927 pontos – S.C.H.
    3º. Ferreira do Carmo/Lopes Sabino – Lancia 1600 HF – 32 817 pontos
    4º. Fernando Coelho/Aurélio Tavares – BMW 2002 TI – 32 903 pontos – S.C.H.
    5º. Santos Peras/Né Bragança – Subaru FF1 – 33 545 pontos – Suniver
    6º. Luís Aguiam/João Aguiam – Datsun 1600 SSS – 34 145 pontos
    7º. João Brito/João Brites – BMW 2002 TI – 34 145 pontos – Os Kurikas
    8º. Mário Nunes/Caetano Fernandes – Datsum 1600 – 34 647 pontos
    9º. Sousa e Costa/Eugénio Correia – Subaru 1300 FF1 – 41 027 pontos

    Por equipas:

    1ª. e única – Sporting Clube do Huambo – A
    António José Oliveira/Carlos Melo
    Pedro Vieira de Matos/Patilhas

    Na Classe C, o Sporting Clube do Huambo conquistou ainda os três primeiros lugares da classificação.

    Agora a razão do título.

    À hora da afixação dos resultados, estávamos na sede da Petrangol para confirmarmos aquilo que já sabíamos.

    Esperámos … esperámos … e nada!

    Passado bastante tempo, alguém da organização apresentou desculpas e informou que os resultados só poderiam ser afixados no dia seguinte, pelas 12.00 horas.

    Conversando com alguém da organização, fomos informados, muito confidencialmente, que o computador desclassificava o António José Oliveira.

    Mesmo sem fazer contas, todos sabiam que o António José Oliveira, pela prova excepcional que tinha feito, ganhara o rali, mas o computador não queria.

    OU NÃO SABIA FAZER CONTAS OU EMBIRRAVA COM O ANTÓNIO JOSÉ OLIVEIRA.

    E EU A PENSAR QUE ERAM SÓ OS HOMENS DO ATCA.

    Mas, no dia seguinte, não sei se feitas pelo computador se pela velha forma, as classificações lá foram afixadas.



    O BMW do António José Oliveira
     

    Ficheiros Anexados:

  2. Computador Mangwole....
     
  3. Re: O Computador Que Não Sabia Fazer Contas … Ou Que Embirrava Com O Piloto

    Ou seja, já em 1972 se antevia que o futuro ia trazer atrasos em vez de progressos... :D

    Isto de facto os computadores são uma praga, mas infelizmente já quase não sabemos viver sem eles...

    Parabéns pela "croniqueta", venham mais, é sempre refrescante ler estas histórias contadas na primeira mão!

    Um grande abraço!
     
  4. Ontem como hoje a informática a pregar partidas...:D os Zero e os uns às voltas com o António José :D e deduzo que seria um computador nada portátil mais para o gigantesco...:D Obrigado pela deliciosa descrição B)

    um grande abraço

    Francisco
     
  5. Belíssima história! Suponho que o computador em causa era mais pesado que alguns dos carros em prova...

    P.S. Post nº 700!
     
  6. Muito obrigado pela partilha sr. Armando Lacerda.

    A História contada na 1ª pessoa é muito diferente, muito mais entusiasmante.

    Já que começou, espero que "regularmente" nos brinde com as memórias da sua vida que teve a sorte de "apanhar" uma parte da história automóvel, que para mim é das mais "ricas" em factos, carros e acima de tudo, pessoas.

    Mais uma vez o meu Obrigado.

    Fico à espera das próximas.

    Os meus cumprimentos.

    Paulo Baião
     
  7. Tentei colocar uma fotografia, mas parece que não o consegui.
    Os computadores, na altura, eram uma autênticas bizarmas e necessitavam de instalações próprias.
    A evolução foi muito grande e, hoje, já não podemos viver sem eles.
    Mas continuam a pregar-nos partidas, como esta de colocar uma fotografia e não sair nada.
    Saudações para todos
     
  8. Gostei muito dessa história:D!!
     
  9. Excelente história...
     
  10. Caro Sr. Armando

    Eu já a coloquei :D Aqui é diferente do Mazungue, após o texto tem um "botão" administrar ficheiros anexos, clica , selecciona e pode fazer download de 20 fotos directamente do seu pc.

    um abraço
     
  11. História muito interessante Sr Armando

    Todos os dias há problemas justificados com erros informáticos que, se agora serão raramente reais, na altura eram bem crediveis
     
  12. Bela crónica! É bom saber que os computadores já "nasceram" a errar..com respeito a historia venham mais destas deliciosas histórias.
     
  13. Aqui está uma mais valia!!

    História deliciosas contadas por quem as viveu ao vivo!!

    Melhor é impossível ;)
     
  14. Ora aqui está um tipo de historia que eu gosto de "ouvir" e ainda para mais contada na primeira pessoa, como já foi referido por aqui.
    è engraçado como esses tempos, que não foram os meus, me conseguem fazer sentir saudade....:rolleyes
    Quanto aos computadores... ninguém me tira da ideia que estão intimamente ligados às bruxarias entre outras ciências ocultas... Como é que se explica que uma maquina tenha birras e seja temperamental?
     
  15. Muito obrigado por partilhar comnosco essa historia fantastica e venham mais...:feliz::D
     
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