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Ford Ford Cortina MK2 1967 - O Elefante Branco

Tópico em 'Diários de Bordo' iniciado por Santos António, 10 Jan 2016.

Tópico em 'Diários de Bordo' iniciado por Santos António, 10 Jan 2016.

  1. PREÂMBULO
    Não sei se será este o melhor local para contar esta história, mas uma vez que pretendo manter um registo das reparações, recuperações ou restauros, auferindo simultaneamente de conselhos, sugestões e reparos, espero que não seja descabido nem infrinja qualquer regra.

    A HISTÓRIA
    Tudo começou num vulgar dia de trabalho, no local de trabalho, numa pausa do trabalho.
    Para queimar uns minutos, nada melhor que folhear anúncios de automóveis no telemóvel e sonhar com os carros que nunca virei a ter. Aliás é passatempo que partilho com um colega, ao qual é hábito atirar os anúncios à cara com um comentário do tipo "este é que era bom para ti". E aguardar o contra-ataque.
    Entre Mercedes, Jaguares e Range Rovers, apareceu um Cortina, o qual despoletou a curiosidade de procurar os dois Cortinas da minha vida: o do meu pai (no qual aprendi a conduzir) e o do meu avô.
    Este carro do meu avô trago-o sempre à baila quando se fala de carros antigos, porque era mimado como um filho serôdio: sempre guardado em garagem, era tapado com uma cobertura, mas nunca sem primeiro lhe limparem o pó e pôr calços nas rodas, para não esforçar o travão de mão. Nunca foi lavado, que a água lhe podia fazer mal, e só saía quando o tempo estava bom. Geralmente uma vez por semana, para dar o passeio domingueiro. Uma vez por ano vinha a Lisboa ver a família, mas sem passar dos 60, que o meu avô não era pessoa dada a velocidades. E naquele tempo só havia a A1 e a A2 (que ainda não chegava a Setúbal), e o percurso não passava por nenhuma delas. Este carro teve-o o meu avô cerca de 20 anos e quando decidiu desistir de conduzir pô-lo à venda por 150 contos. Tão novo como quando saíu do stand e com a adição das capas nos estofos e a Nossa Senhora no tablier. Prometeu-me então que se ninguém lhe pagasse os 150 contos mo ofereceria. Estive quase para lho comprar, mas nem sei se foi a ganância de vir a ter um carro de borla ou o facto de que não tinha onde o guardar, fiquei à espera da dádiva e, claro, o velhote vendeu o carro. Reza a história (e eu ainda me cruzei com ele várias vezes) que rapidamente o Cortina se sujou, perdeu os tampões das rodas para ficar mais racing, ganhou umas amolgadelas e faleceu pouco tempo depois espetado contra uma árvore. Ficou-me a memória e algumas fotos que hão de andar por aí perdidas nos albuns da minha mãe.
    Ora neste dia fatídico de troca de anúncios tropecei num Ford Cortina MK2 quase igualzinho ao Bem Feitinho (era a alcunha dele, por causa da matrícula BF), e por graça (e porque estava em Lisboa e não em Famalicão, Guarda ou Bragança) mandei um e-mail, depois telefonei, depois fui vê-lo, e quando fui passar o Natal já não me saía da cabeça. Afinal não estava assim tão caro (julgo eu) e na impossibilidade de comprar o Miura ou o SM, aqui estava um carro velho, quase clássico, que eu podia ter e já se sabe que quando há um carro quase clássico que podemos ter, nós, pimba. E agora já cá canta.

    O NOME
    Baptizei-o Elefante Branco por vários motivos. Como saberão (ou não) era costume os reis do sudeste asiático oferecerem aos nobres de quem não gostavam, um elefante branco. Como o bicho era sagrado, não se podia matar, comer ou vender e como sagrado que era tinha que ser mantido de acordo com preceitos rigorosos e dispendiosos o que levava frequentemente à ruína do infeliz contemplado. Mais ou menos o meu destino.
    E ainda por cima o carro é branco.
    E grande como um elefante.
    E suponho que beba como um.

    O CARRO
    É um Ford Cortina 1.3 (surpresa!) julgo que de 1967. O documento único não diz a data da 1ª matrícula, mas diz que é a versão Deluxe. Ainda bem porque assim tenho finalmente um carro de luxo. Tem 4 portas e não anda. Entre outras coisas não tem bateria. Disseram-me na altura da compra que tem um problema na direcção, mas trabalha. Eu vi-o a trabalhar, mas por pouco tempo, porque não tinha gasolina. Mas trabalha. Trabalhou... Ao que parece está parado há dois anos (dentro de portas) e parece asseadinho. Já está entregue ao mecânico, que ainda não teve tempo de começar a investigá-lo, mas espero que esteja para breve. O meu propósito é pô-lo a andar. Inspeccioná-lo e passear com ele ao domingo (como o avô). Não pretendo parar em lado nenhum porque visto de longe nem parece muito mau e far-me-á fazer boa figura, mas quem se aproximar verá que tem uma quantidade de borbulhas na cara.

    EU
    ...não percebo nada de mecânica. Isso não é bom, nem barato. Espero ir aprendendo algumas coisas, mas na verdade tenho muito receio de tocar seja no que for, porque costumo estragar mais do que arranjo. Tenho sincera esperança de poder contar com as sugestões e conselhos dos portalistas que tenham carros iguais, parecidos, ou que simplesmente percebam de mecânica. Vou provavelmente ter necessidade de comprar peças, e não imagino onde. Haverá maneira de as obter aqui pelo barlavento algarvio, ou será necessário ir a Lisboa? Para já vou aguardar o que o mecânico tem para dizer, mas até eu consigo ver que preciso de borrachas para as portas. Como não é isso que impede o carro de andar, não é urgência nenhuma, mas será que isso é a metro, ou tem que ser específico para aquele carro? É possível que o mecânico consiga peças através dos seus contactos habituais, mas será mais barato tentar descobri-las noutro lado?

    Enfim, já é muita conversa, vamos às fotos:
    2016-01-08 - 17.47.34 1.JPG
     

    Ficheiros Anexados:

  2. Bela máquina! Parabéns pela compra. Pelas fotos até parece bastante direitinho, resta saber essas borbulhas...

    Estás um pouco como eu no inicio e posso já dar-te umas dicas. As borrachas vendem-se a metro em praticamente todas as casas de borrachas (em lisboa há várias...), mas o que possivelmente vais encontrar são umas "compatíveis". Originais é mais complicado, mas também se arranja principalmente comprado online e vindo do estrangeiro, sai é mais caro lá está.
    As borrachas, se não pretendes pintar o carro, então é só uma questão de encontrares a melhor opção para ti e comprares e colocares ou mandares colocar. Colocar também é fácil é retirar a que lá está (dizem que dá jeito :lol:), limpar muito bem e depois aplicar uma cola que é vendida em qualquer casa de borrachas, tipo spray e aplicar a nova borracha.
    Se vais pintar o carro, esqueçe para já as borrachas, depois de pintares logo colocas as ditas cujas.

    A não ser que o mecânico seja teu conhecido, é claro que sai mais barato ires tu comprar as peças, mas também requer tempo (mesmo muito tempo). Procurar a peça certa... depois procurar o preço mais barato... mas como se diz, quem corre por gosto não cansa.
    Aqui é mesmo como o dono se sente melhor e encontrar o seu equilibrio. Entre procurar/montar ou mandar procurar/montar.

    Espero ter ajudado.

    Abraço.
     
    Nelson Nelson e Vitor Dinis Reis gostaram disto.
  3. Isto sim... é um belo principio!

    Gosto do carro e gosto sobretudo da história e gosto ainda mais de a ter partilhado aqui!

    Ainda por cima está relativamente perto de mim!
     
  4. Santos,

    Obrigado pela partilha e pela prosa.

    Parece ser um excelente base. Os Fords (tal como os Alfas) não estão na minha zona de conforto mas são carros de que gosto muito.

    Bom trabalho e bons kms.


    nuno granja
     
  5. Obrigado pelas palavras.
    Já tinha lido o diário de bordo do teu Taunus e confesso que o coração se me foi apertando ao ler o relato de todas as pequenas coisas que lhe vão acontecendo e a busca por peças e as pequenas despesas que se acumulam e as recusas do carro quando contamos com ele. Revejo nisso o meu futuro e não sei se me agrada por aí além, mas vejo também o teu entusiasmo e a satisfação que relatas em cada passeio que dás e só espero vir a tirar o mesmo proveito do meu.
    Obrigado pelas dicas quanto às borrachas. Para já não penso pintar o carro, até porque se nota que foi pintado há pouco tempo, embora mal. Só não sei se para ficar com melhor aspecto, se para esconder alguma coisa. Mencionei as borrachas como um exemplo, mas é certamente um exemplo evidente e uma reparação que pode estar ao meu alcance. Afinal, se ficar mal posso sempre descolar tornar a colar, não? O que me aflige é ter que ir a Lisboa fazer compras. Além de longe, é sítio que não suporto, depois de me ter habituado ao campo.
    O mecânico já cuida dos meus outros carros há algum tempo, e tem sido eficiente. Veremos se consegue também desenrascar o necessário para ressuscitar este.
     
  6. Santos.

    Se não pensas pintar pelo menos aplica algum produto nas zonas interiores (portas, embotadeiras e um longo etc) para evitar aparecimento de oxidação e estabilizar a que eventualmente já exista.



    nuno granja
     
  7. Obrigado pela sugestão, Nuno. Que produto seria esse?
     
    nuno granja gostou disto.
  8. Bem vindo.
    Gostei da historia da aquisição.
    O carro parece estar porreiro. Quanto preocupação com o tempo vais te habituar a ideia e depois e uma coisa normal. Isto acontece quando se compra um carro com o coração e não com a cabeça. Lol como se diz,Quando estamos nelas e que vemos como são realmente as coisas.

    Basicamente ,com empenho tudo se faz como e obvio não de um dia para o outro.. estaremos ca te ajudar e opinar no que der.
    Forca com o projeto.irei acompanhar.

    Cumprimentos
     
  9. Boa sorte com o projecto.
    Parece muito jeitoso o carro.
     
  10. Parabéns pelo Cortina, tem pinta!
    E bem vindo a este mundo dos clássicos, agora não vais querer outra coisa!:D:
    Boa recuperação!:thumbs up:
    Cumprimentos
     
  11. Santos,

    Eu sei que se deve fazer mas ao contrário de muita gente aqui do Portal que mete as mãos na massa, costumo mandar fazer, dai que sou um bocado zero à esquerda em termos de aconselhamento prático.

    Nas revistas inglesas referem muito o Dinitrol, por exemplo fazem um artigo sobre uma Alfa Coupé Bertone "time warp" e dizem que este carro sobreviveu ao clima da ilhas britânicas sem necessitar de restauro, porque o dono teve o cuidado de o proteger com Dinintrol (ou algum produto do género) à saída do stand

    Dinitrol Rust Treatments | Rust Converters | Rust Prevention Products

    Qualquer profissional de pintura ou eventualmente outros membros do portal saberão indicar outros produtos. agora que vale a pena vale.


    nuno granja
     
  12. Muitos parabéns pela compra e pela História partilhada.

    Um clássico é como uma amante!!! Leva-nos o guito, mas sempre que estamos com ele (clássico) é sempre um prazer :D:

    À primeira vista, e exteriormente, o Cortina parece muito bom! Com alguns mimos, fica impecável.
    O Cortina é um carro do tempo em que as mecânicas eram simples, nada de sistemas eletrónicos e centralinas, pelo que normalmente os problemas que surgem são de fácil resolução.

    Tenta pôr o carro em estado minimamente capaz de andar e vai desfrutando o prazer de conduzir um clássico. Depois com o tempo, vai resolvendo os problemas com calma. Não desmontes já o carro para o pôr como novo, pois assim não vais ter o prazer de o desfrutar tão cedo.

    Um abraço e boas viagens no Cortina
     
  13. José, disse mesmo tudo! É que é isto, nem mais, nem menos :)
     
    José Carlos Magalhães gostou disto.
  14. Parabéns pela compra!

    Quando a aquisição de um clássico também é relevante do ponto de vista sentimental, então estão reunidos todos os ingredientes positivos... :thumbs up:

    Bons kms (e muitas fotos) nessa máquina... B)
     
  15. E é permitido manter os dois ou vou ter que escolher? ;)


    Na verdade, e como leigo que sou, sem qualquer olho clínico, o carro até me parece melhor de interior que de exterior, se excluirmos o rasgão no assento.
    Obrigado pelo encorajamento.
     
    José Carlos Magalhães gostou disto.
  16. Capítulo I

    Fui hoje visitar o bicho. Coitado, depois de 2 anos em cativeiro, está agora de quarentena, à chuva e ao frio, à espera de vaga na unidade de cuidados continuados. Foi uma visita de médico: uma voltinha à volta dele, para ver se está tudo bem, umas palavrinhas de encorajamento e uma palmadinha nas costas. Abri as portas todas e procurei por poças de água ou humidade nos vidros. Não vi nada. Na mala também não. Mesmo considerando que já foi ao fim do dia, ao lusco-fusco, e que foi só uma vista de olhos, fiquei animado. Levando em conta o que choveu, temi que se constipasse.
    Mal posso esperar que o Sr Dr tenha tempo para ele a fim de ter uma opinião de quem sabe. Veremos se tanto optimismo não descamba em água fria.

    É verdade, alguém sabe como se trancam as portas?
     
  17. Se houver guito e tempo, é manter os dois he he he

    Abç
     
  18. Eu é mais Fiat, mas deve ser rodando no sentido contrário o manípulo que serve para as abrir por dentro...
     
  19. Parabéns pelo Cortina. é um familiar por excelência. É muito bom sinal ter aguentado o mau tempo sem infiltrações. Quando puderes manda fotos do 'acne' para se perceber se é inicio de ferrugem ou de tinta estragada pelo sol.
     
  20. Eu também iria jurar que sim, mas a verdade é que não tranca. Julguei que estivesse estragado, mas como não consigo trancar nenhuma, deve ser mesmo azelhice. Do fecho centralizado tenho a certeza que não é.IMG_20160108_171250.jpg
     
Código de Verificação:
Rascunho Salvo Rascunho removido

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