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Fiat Uno 60SX (1990)

Tópico em 'Clássicos Modernos' iniciado por afonsopatrao, 12 Fev 2015.

Tópico em 'Clássicos Modernos' iniciado por afonsopatrao, 12 Fev 2015.

  1. Tal como disse na minha apresentação, há quase um ano que tomei a decisão de aprender algo mais sobre automóveis para que, no futuro, venha a ter um clássico a sério.
    Não sei nada de mecânica e tenho pena; não sei nada de electricidade, e tenho desgosto. Pois como toda a gente me dizia que só se aprende fazendo, fui à procura de um carro de que eu gostasse, de mecânica simples e barata, com grande tolerância à asneira. A ideia era aprender a mexer, recuperando um carro simples que estivesse a precisar de poucos cuidados.

    Como o meu primeiro carro tinha sido um Lancia Y10 FIRE de 1990 (VF-45-75), e impulsionado pela triste notícia da morte da marca Lancia, resolvi procurar um destes, carburado da primeira série (1985-1988, sob a marca autobianchi) ou da segunda série (1988-1992). Curiosamente, não aparecem muitos. Mas o que me demoveu mesmo, foi não existir Manual Haynes para ele... Para um leigo na matéria, foi um obstáculo não negligenciável.

    Resolvi então procurar um Fiat Uno, a partilhar o motor FIRE, de primeira geração. Tenho recordações de infância, pois o meu pai teve um Uno 45 de 1984 (com o motor 903cc do 127) e a minha tia um 45S de 1988 (já com o motor fire1000). Fiquei surpreendido por haver cada vez menos mk1, quase todos muito podres e com preços nem sempre ajustados...
    A dada altura, nas minhas pesquisas, tropecei num Fiat Uno mk2, 60SX, com o motor FIRE 1108cm3, fechado numa garagem há 5 anos, desde a morte do dono. Sei que é menos um clássico do que o mk1, mas sempre o achei um carro bonito, com um aumento de qualidade grande face à primeira geração. E, para o que queria (aprender!!), servia.

    Não retinha água no circuito de refrigeração (pingava algures junto da distribuição, na altura achei que era o vedante da bomba de água) e estava sem bateria. Mas, com um pouco de gasolina pelos gigglers, lá se ouviu o ronronar inconfundível de um motor FIRE carburado. Funcionamento regular. Estado geral muito razoável, sobretudo interior. Via-se ter sido de alguém idoso, que o cuidava. E percebia-se ter tido sempre garagem.

    Comprei-o, coberto de pó, a 27 de Maio de 2014. Foi das coisas que mais gozo me deu fazer até hoje.

    As primeiras fotos:
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    Vinha com toda a documentação e o registo de todas as revisões:
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    Amanhã continuarei a história...
     
  2. Parabéns! Parece ter sido boa compra.

    Um conselho: mal possas tenta dar um jeito na tampa plástica que cobre a correia de distribuição. Ajuda a prevenir a entrada de eventuais detritos.
     
  3. Já está tratado! Veio de Itália e está óptima. Estas são as fotos de há um ano. Hoje continuarei a contar a história do bicho.
     
  4. Parte II:
    Com a compra feita, era preciso começar a tratar dele. Eu tinha decidido que, atendendo a que queria do carro essencialmente um "professor de mecânica", só iria a um mecânico quando, de todo em todo, eu não conseguisse resolver o problema.
    Como é que isso foi possível, perante um nabo como eu? Bom, graças a uma inexcedível ajuda que encontrei no Forum Fiatistas, onde a comunidade me foi ensinando a meter as mãos na massa, sem me conhecer de lado nenhum e sem nunca hesitar. (Espero que não seja proibido aludir a outros fóruns... Suponho que não, pois reconheço aqui no Portal bastantes utilizadores do Forum Fiatistas... De todo o modo, o que fiz e faço no Uno nunca teria sido possível sem a ajuda que ali encontrei).

    Comecei por coisas simples: aprender a mexer no EPER (o catálogo de peças do grupo FIAT) e, como teste, mandar vir o tampão do reservatório do líquido de limpeza do pára-brisas.
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    Depois, substituir as lâmpadas fundidas nos faróis e farolins e, mais desafiante, desmontar o topo da consola central para devolver luz ao relógio, desmontar o quadrante e trocar várias lâmpadas fundidas:
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    Logo de seguida, e sem ter a certeza se fazia alguma asneira capaz de mandar o Uno para a prensa, fui tirar do cárter o óleo que lá estava pelo menos há 5 anos (pastoso e viscoso, um bocado nojento) e respectivo filtro. Comprei o filtro OEM e o óleo que, pela pesquisa que fiz, seria o melhor compromisso preço-qualidade. A minha vontade de ter tudo de origem encaminhava-me para o Selenia, mas chateia-me dar o triplo do valor por um óleo que não será 3 vezes melhor. Assim:
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    Foi bom! Custoso (difícil tirar o bujão), com adrenalina quanto baste, e fiz a minha primeira operação "mecânica". Fiquei muito orgulhoso de mim.

    Depois disto, comecei a preocupar-me com o sistema de refrigeração. Essencialmente, tinha dois problemas: perdia líquido (claramente água da torneira, profundamente oxidada e cheia de ferrugem) e a ventoinha do radiador não disparava.

    Quanto à fuga, se inicialmente achei que era um problema de vedante da bomba de água, assim que tirei a tampa da distribuição percebi que não. Era aquilo que, vim a saber mais tarde, se chama uma Rela: uma tampinha que tapa orifícios do motor e que, quando oxida, deixa escapar líquido de refrigeração. Pelo que venho a perceber, é um cancro dos motores FIRE que levaram com água da torneira no circuito.
    Aqui está a foto de quando detectei o problema: vê-se bem, junto à poli da árvore de cames, uma rela saudável e, mais abaixo, junto ao tensor da correia de distribuição, a rela doente, a deixar sair um líquido acastanhado (água com ferrugem e porcaria vária):

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    Sei que, quando uma rela começa a dar problemas, o ideal era trocá-las todas. Mas, porque só tinha passado 1 dia desde que me atrevi a abrir um capot de um carro e mexer-lhe, achei que era melhor aventurar-me apenas a substituir a rela que estava estragada. Comprei uma na FIAT:
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    E, com uma luta que deriva directamente da minha nabice, demorei uma semana a trocá-la. Todos os dias tentava 30 mins, à noite. Até que finalmente saiu a velha e coloquei a nova. ;)

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    Como foi preciso tirar a correia de distribuição e eu não sabia há quantos anos lá estava, aproveitei para trocar a correia e o tensor. Claro que só me aventurei nisso por ser um Motor FIRE, não invasivo: sabia que, mesmo que o pusesse fora de ponto, os cilindros não batiam nas válvulas e, na pior das hipóteses, só teria de chamar alguém para pôr a correia.
    E, já que estava a fazer uma revisão, resolvi trocar também as velas (comprando uma chave para o fazer) e o filtro do ar (a primeira peça que lhe pus sem ser de origem).

    Como é evidente, tive uma ajuda incomensurável e inexcedível dos meus dois novos melhores amigos. Por um lado, o Fórum Fiatistas, onde me foram ensinando a fazer tudo isto, passo por passo, compreendendo a minha ignorância toda; por outro, o manual HAYNES, que passou a fazer parte da minha literatura essencial...

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    Desculpem o testamento. Quando puder, vou continuando a contar a história da minha primeira aventura no mundo dos automóveis pré-pré-clássicos...
     
  5. Parte III:
    Depois de velas novas, óleo mudado e filtros novos, e sem fugas do circuito de refrigeração, já começava a querer dar umas voltas!
    Todavia, para o poder levar à inspecção, ainda precisava de corrigir o facto de o ventilador do radiador não disparar. O fusível estava bom e, fazendo ligação directa, o ventilador funcionava. O problema era decididamente da válvula. Comprei-a, de origem e coloquei, passando a disparar depois do circuito bem purgado (perdi as fotos que tinha da altura). Simplesmente, disparava sempre um pouco tarde demais (com o ponteiro a apontar para os 95º/100º), problema que só mais tarde vim a resolver.

    O conta-rotações não funcionava: depois de identificar o respectivo fio e de me certificar que estava bem ligado à bobine, achei (sempre com a ajuda dos Fiatistas, claro) que o quadrante teria qualquer coisa queimada. Arrisquei comprar outro, usado.
    Os Unos 60SX, mk2, primeira série, têm um quadrante mais completo, incluindo luz de nível do óleo e de nível do líquido de refrigeração. Essas luzes desapareceram depois nos modelos a partir de 1991, sendo substituídas pela indicação "electronic check".
    Com algum trabalho, lá consegui encontrar um quadrante dos que eu queria (tinha de ser entre Outubro de 1989 e o fim de 1990) no OLX e montei-o. E eis que...

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    Conta-rotações voltou à vida!

    Ainda sem inspecção válida, dei uma volta ao quarteirão, começando a apreciar o nível de espaço, conforto e equipamento que este pequeno utilitário com 24 anos proporciona.
    Aqui, ainda antes de lhe limpar a colecção de selos no pára-brisas:
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    Nesta altura, tinha colocado anticongelante a 25%. Tive receio que colocar mais concentrado do que isto pudesse, com a ferrugem que se ia saltar, abrir mais buracos.
    A verdade é que a ferrugem começou a soltar-se e bem. O líquido mudava de cor a uma velocidade impressionante e rapidamente se viam a boiar pedaços de terra. Muito tempo parado + água da torneira + bloco em ferro com cabeça de alumínio... dá nisto.
    Por isso, andava a trocar muito frequentemente o líquido e a dar umas limpezas valentes com mangueira no circuito.

    Simplesmente, alguns sedimentos estavam agarrados ao sensor de nível de água, fazendo com que ele desse um "semi-aviso", com luz muito fraca, de falta de nível.

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    Tirando o sensor fora, bem que o tentei limpar. Mas não teve salvação. Oh para ele (e para o radiador) coberto de lama:
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    O novo sensor, acompanhado de um novo tubo de acesso de ar quente, para entrar na admissão quando o carro está frio e chegar mais depressa à temperatura de funcionamento:
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    Lá comprei um sensor novo (deve de vir pelo eBay de Itália, pois cá não encontrei) e o problema passou. Como prémio para o Uno, comprei um novo tubo para a admissão do ar para substituir o que lá estava (roto em pelo menos 20 pontos), para que ele respirasse sempre com ar fresco e não o quente do cofre do motor.
    Antes:
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    Depois:
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    De seguida, dediquei-me ao interior. O tablier tinha restos de cola de uma daquelas placas de metal, tão típicas da década de 80, em que o proprietário marcava o carro com o seu nome.
    A questão é que alguém tinha tirado a placa, mas deixando os restos de cola.

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    Foram duas horas (2, sim!) a esfregar com acetona para as unhas, mas aquilo lá saiu. Ainda hoje me lembro de quão tonto eu fiquei depois de tanta exposição à acetona! ;)

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    E voi-là!
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    Por outro lado, sempre que usava o Uno, algum óleo aparecia do lado do distribuidor, na parte de fora da cabeça. Primeiro achei que podia ser da junta da tampa das válvulas, e aventurei-me a trocá-la, depois de ler 3 ou 4 DIY (o Haynes não explica coisas tão básicas) e de colocar 40.000 questões prévias aos amigos fiatistas:

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    A culminar este trabalho, o miminho de que o João Luís Soares falou imediatamente: uma tampa de distribuição nova, chegada de Itália (cá também não encontrei):
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    E com isto chegamos a Julho de 2014. Dois meses de Uno, ainda sem inspecção. Mas muito aprendi eu nestes dois meses!
     
  6. Muitos parabéns Afonso.
    O Uno teve sorte com o novo dono. :):
     
    afonsopatrao gostou disto.
  7. Excelente o trabalho que tens feito neste teu professor.
    É um carro que me traz boas recordações, pois era o carro que o meu pai tinha quando eu tirei a carta (um 60sx de 1991)
    Continua a partilhar os trabalhos que vais fazendo ;)
     
    afonsopatrao gostou disto.
  8. Parte IV:

    Mesmo depois de ter trocado a junta da tampa das válvulas, continuava a teimar aparecer um pouco de óleo na parte de fora da cabeça, do lado direito, junto ao distribuidor (ver seta encarnada).

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    Depois de alguma investigação (no FiatForum fórum Fiatistas), descobri que podia ser o O-Ring do distribuidor. O distribuidor, nos motores FIRE, está acoplado directamente à árvore de cames.
    Daí, comprei o O-Ring e o filtro da gasolina (o único filtro que ainda não tinha sido substituído)

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    Numa tarde, com as miúdas a dormir a sesta e com a minha mulher a começar a ter ciúmes do Uno, lá iniciei os trabalhos de substituição do O-Ring. Segui à risca um DIY que havia no FiatForumUK, complementado pelas indicações e fotos do HAYNES.
    Marquei o ponto exacto de ignição antes de tirar o distribuidor:
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    Depois tirei a tampa do distribuidor e coloquei um pano por baixo do distribuidor, para apanhar algum óleo que pudesse cair:
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    Lá tirei o distribuidor, desligando os cabos e o tubo do avanço a vácuo, ficando desde logo evidente que o O-Ring não estava a fazer o seu papel, deixando passar óleo:

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    Coloquei o O-Ring novo e limpei bem o distribuidor, bem como a parte da cabeça onde ele encaixa:
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    E pronto, óleo ausente da cabeça:
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    Ali na parte final de Julho do ano passado, comecei a ficar preocupado com a saúde do motor. Por um lado, porque, a quente, um cilindro falhava (o cilindro 2, descobri depois de desligar os cabos um a um); por outro, porque o ponteiro da temperatura parecia-me andar sempre acima do desejado (problema que, avanço já, só consegui resolver 6 meses depois... E não tinha nada a ver com a temperatura).

    Para ir pelo seguro, comprei um manómetro para medir a compressão dos cilindros e tive resultados agradáveis! Em todos os cilindros estava mais ou menos isto:
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    Pelo menos isto veio descansar-me, pois o meu pessimismo já achava que a junta da cabeça estaria podre e a deixar passar compressão para o circuito de refrigeração. O que explicaria o ponteiro da temperatura sempre um pouco acima dos 90º, disparando a ventoinha só por volta dos 100º. (Mal sabia eu que só em Janeiro de 2015 ia eu despistar este problema...)

    Até que resolvi mostrar nos Fiatistas a vela do cilindro que falhava:
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    Com esta imagem, alguém me conseguiu ajudar. Parece que a vela mostra haver ali perda de compressão pelo orifício da vela. Fui ver e, de facto, a rosca daquele cilindro está esquisita, sendo preciso força a partir da segunda volta. As outras velas enroscam 11 voltas e esta só estava enroscada 2 voltas (eu não forcei nada, não fosse partir alguma coisa).
    Assim que enrosquei devidamente a vela (com mais determinação), o cilindro deixou de falhar.

    Para comemorar, dei-lhe a primeira lavadela. Mesmo sem ter tratado da chapa ou da pintura, ficou brilhante. E, no podre que tinha na mala, deu para ficar com melhor aspecto (ou menos mau...).
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  9. No mínimo espectacular a sua história com o potente Fiat.
    Mas para quem não entende nada de mecânica safa-se super bem,eu não me aventurava por exemplo a mudar uma correia de distribuição. :))
    Também cheguei a ter uma máquina destas aliás eu e o meu sócio compramos para usar de transporte para o trabalho por ser económico,e nunca deu problemas excepto um cheiro a combustível no habitáculo que nunca descobrimos de onde vinha. :D:
     
  10. Obrigado! Mas acredite que a façanha da correia de distribuição não é mesmo nada de extraordinário por ser um motor FIRE. Primeiro, porque é ultra fácil de mudar;
    Depois (e mais importante) porque é um motor não invasivo, isto é, os cilindros não tocam nas válvulas, mesmo que esteja fora de ponto.
    Ou seja, se eu fizer asneira com a distribuição (e já fiz! Espere pela parte 5!), simplesmente não pega, mas não estraga nada...

    Tendo rede, é mais fácil arriscar. Eu sabia à partida que não ia partir nada, mesmo fazendo asneira. ;)
     
    joao ruivo quelhas gostou disto.
  11. Afonso, parabéns pela qualidade da reportagem e pela eficácia das tuas intervenções.

    De facto, estes motores são óptimos para aprender.
    Já fizeste mais que eu, porque eu nunca mexi no distribuidor, nem na tampa das válvulas, nem nas relas.

    Em relação à distribuição, não é difícil. Nesse caso o meu manual foi mais o telemóvel (para ligar ao Eduardo Relvas e ao Rafael Marques) e um tutorial online que arranjei.
     
    afonsopatrao e joao ruivo quelhas gostaram disto.
  12. Adoro este conceito em que se vai melhorando o carro sem o desmontar totalmente!

    Gostei do que vi, rigor, bom gosto! :)
     
    afonsopatrao gostou disto.
  13. Parte 5:
    Como o ponteiro da temperatura ainda me deixava desconfiado (ora andava bem, ora ia para cima dos 90º) o passo seguinte foi substituir tudo o que podia no circuito de refrigeração.

    Desde logo, porque o líquido se mantinha constantemente castanho, resolvi tirar peça por peça é lavar tubo a tubo. Além disso, sempre munido do Haynes:
    1- Bomba de água trocada. Saiu facilmente e estava a precisar de ser substituída, como se vê:
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    A velha e a nova:
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    2- Trocar Termostato.
    Começam as coisas a correr menos bem. Ao tirar o termostato, não apenas percebo que o que lá estava ainda era de origem, como se partiu a cabeça de um dos parafusos de fixação. Com bom alicate e alguma martelada, lá saiu.

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    3- A asneira.

    Depois de lavar todos os tubos, radiador e enviar água para dentro do radiador da chaufage, comecei a montar tudo.
    Pois bem, ao colocar o distribuidor não verifiquei o alinhamento das unhas. Partiu um dos apoios à primeira volta do parafuso. Fiquei pior que estragado.

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    Pior, mesmo depois de ter montado tudo (distribuidor só com uma asa, enquanto não comprava outro) o carro não pegava. Nada. Aliás, o motor de arranque rodava sem esforço nenhum, como se não tivesse velas montadas.

    Depois de uma noite a matutar, achei que só podia ter o motor fora de ponto, de ter feito asneira ao colocar a correia de distribuição.
    Pois bem, quando cheguei ao uno, estava fora de ponto.
    Coloquei no ponto, dei duas voltas à mão e tentei pegar. Nada.
    Fui ver: fora de ponto.

    Toca a repetir a operação: colocar no ponto, dar duas voltas à mão. Testar. Nada.
    Fui ver: fora de ponto.

    O que era? A porcaria da porca do tensor da correia de distribuição!!! Estava moída e deixava de tensionar, o que fazia a correia saltar dentes.

    Substituída a porca e o carro voltou a funcionar.
    Uff... ;)

    De notar que, se não fosse um motor FIRE, a brincadeira tinha sido DESASTROSA. Teria, pelos menos empenado válvulas, se não pior...
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    No dia seguinte, comecei a procurar um distribuidor novo...
     
    #13 afonsopatrao, 12 Fev 2015
    Última edição: 12 Fev 2015
  14. Afonso gostei do que vi, tambem comecei as minhas aulas de mecanica assim tinha eu uns 16 anitos, sendo um adepto da Fiat tendo um Ritmo e para a semana quem sabe mais um da familia do seu, fiquei curioso em saber como consegue as peças de origem, e algum site especializado?
    Cumprimentos,

    João Quelhas
     
    afonsopatrao gostou disto.
  15. Nem por isso! Vou sempre ao EPER retirar a referência da peça original. Depois tento na Fiat (onde quase tudo já está descontinuado) e, a maioria das vezes, introduzo a referência no ebay.
    Há semore algum fornecedor de peças de origem, normalmente em Itália, mas também na Polónia, Inglaterra e França. Por vezes, são até mais baratos com portes do que as da concorrência compradas cá.

    Mas nem tudo tenho conseguido de origem... Por vezes, tenho mesmo de me render a marcas menos boas...
     
  16. Obrigado pela dica, gosto muito do Fiat Uno, o meu primeiro carro a serio foi um uno 45s de 1986, o primeiro a brincar foi um Volvo 122 s que foi a cobaia das tais aulas de mecanica, fiat esse que me ensinou bastante, tal como disse e depois de muito procurar la encontrei um 45s como o que tive que esta apalavrado e que irei buscar de sabado a oito dias.
     
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  17. Ui.... Se Perder interesse nesse negócio, avise-me! Adorava ter um Uno de primeira geração... E estão cada vez mais raros!
     
  18. Parabéns pelo carro e pela vontade que tem em deixá-lo operacional e funcional!
    Também sou da opinião de que, para alguém que não percebia nada de mecânica, já suja bastante as mãos em assuntos mais delicados!
     
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  19. Parte 6:
    Depois da aventura de substituição de componentes do sistema de refrigeração e lavagem dos demais, foi altura de levar o rapaz à inspecção, ainda que eu continuasse a ter muitas dúvidas quanto à saúde do sistema (por vezes, o ponteiro estava algures nos 95º ou até nos 100º).

    E o resultado da IPO foi... Sem falhas! Folha verde e selo verde. 13 de Setembro de 2014, o dia em que o Uno voltava a estar autorizado a circular. Para comemorar, na segunda-feira seguinte usei-o como Daily Driver, sempre a apreciar a inigualável velocidade de resposta de um motor carburado. Não há sistema de injecção electrónica, por mais evoluído que seja, que dê o feeling mecânico de um carburador...
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    Entretanto, lembram-se do sensor de nível da água novo colocado a 20 de Agosto? E da grande limpeza que fiz ao circuito de refrigeração nessa altura, lavando peça por peça, deixando o radiador com detergente e voltando a lavar?

    Em 1 de Novembro (1 mês e 10 dias depois), o sensor de nível estava neste estado:
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    20AC3539-4613-4C30-B2CF-6A7824F68D9A_zpschzowfin.jpg /URL]

    O líquido de refrigeração (a 30% de concentração) estava como se antecipa.
    22131273-7C78-4D77-8FAC-4720A1AE2E4B_zpsvurna5ix.jpg IMG]http://[img width=576 height=768][URL='http://i1340.photobucket.com/albums/o728/afonsopatrao/Fiat%20Uno/22131273-7C78-4D77-8FAC-4720A1AE2E4B_zpsvurna5ix.jpg[/IMG]

    Limpei o sensor e voltou à vida:
    8f3ffb4924cf2cb8fb42f3d5cef49a45.jpg

    Moral da história: quem coloca água da torneira nos sistemas de refrigeração merece, decididamente, uma pena pesada por tentativa de homicídio de qualquer motor. A quantidade de porcaria que continua, ainda hoje, a soltar-se deste motor não tem explicação.
    Eu hei-de ser mais teimoso e hei-de deixá-lo limpinho. Mas, mensalmente, tenho de lavar o circuito e substituir o líquido.

    A história da temperatura da água é que continuava a maçar-me. Até que descobri que o ponteiro variava consoante o consumo eléctrico. Isto é, de faróis ligados, subia um ou dois traços; se ligasse a ventilação, ainda subia mais um pouco. E quando ligava o rádio, subia para os 100º.
    4e17afac957e53d5fa993bb4f8992824.jpg
    Primeiro palpite: seria o sensor de temperatura a padecer de doença das vacas loucas? Mandei vir um (desta vez, sem ser de origem, de um daqueles sites de peças):
    d81cb6b5626498309cc11f6dcc5dcdae.jpg

    Teste e... tudo na mesma. Ponteiro da temperatura errático, variando consoante mais ou menos gasto eléctrico.

    Segundo palpite: seria um problema no quadrante?
    Ainda tinha o velho (aquele cujo conta-rotações não funcionava). Montei, testei e... tudo na mesma.

    A solução deste problema e as aventuras seguintes ficam para as cenas dos próximos capítulos...
     
    #19 afonsopatrao, 13 Fev 2015
    Última edição: 13 Fev 2015
  20. No meu Ritmo quando o comprei tinha esses problemas nos manometros do quadrante, problema de massa causado por um fio roido.
     
Código de Verificação:
Rascunho Salvo Rascunho removido

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