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Considerações Em Pintura Automotiva

Tópico em 'Chapa e Pintura' iniciado por Luis C Matos, 7 Mar 2014.

Tópico em 'Chapa e Pintura' iniciado por Luis C Matos, 7 Mar 2014.

  1. Boas Pessoal,
    Já por várias vezes, em alguns sites, fóruns e blogues e até com alguns clientes tenho visto trabalhos individuais de algumas pessoas que são muito bem começados e que só acabam mal porque lhes falta o essencial do conhecimento.
    Suspeito que a maioria não tendo, pois, os sólidos conhecimentos, e mesmo querendo poupar alguns euros, e fazer o seu próprio trabalho com uma certa mestria e um gosto individual acabam, muitas vezes a meter os pés pelas mãos quando se trata da adequada mistura e aplicação de componentes.
    Deixem para lá os tais “grandes mitos urbanos” e cinjam-se aos factos que explico sem muitas complicações:

    PRIMÁRIOS

    Os Primários Automotivos (aparelhos) são de facto tintas que permite à camada de acabamento aderir melhor que quando fosse a única usada. Para este fim, o primário é elaborado e fabricado para aderir a superfícies e formar uma camada de grande ligação que está melhor, assim, preparada para receber a camada de tinta.

    Os aparelhos podem classificar-se em dois grandes grupos:

    - “Aparelhos de secagem por evaporação” ou produtos de um só componente que significa que um componente são compostos por resinas que permanecem inalteráveis durante o processo de endurecimento;

    - “Aparelhos de secagem por reacção química entre dois componentes” ou produtos de dois componentes que aqui, de facto, pois, representa que este é constituído de dois componentes por sua vez constituídos por resinas, às quais se mistura um produto químico denominado por catalisador ou endurecedor.

    É aqui, nesta fase acima descrita dos respectivos primários que há o “erro” de quem os aplica uma vez que desconhece o produto e as suas aplicações com e sem endurecedor e só com diluição através de margens de diluente.
    Como o primário aparelho não tem que ser tinta de acabamento de alta duração, eles podem e são ser elaborados de modo a poder maximizar as suas propriedades de enchimento, aderência e protecção anti-corrosiva (no caso de metais tais como sucede com as viaturas) com o substrato. Isto pode ser alcançado através da química ou através do controlo das propriedades físicas do primário como porosidade e higroscopia.

    Os aparelhos têm, pois, as seguintes características:

    - Grande poder de enchimento, devido a um elevado conteúdo de sólidos;
    - Bom isolamento entre camadas;
    - Excelente aderência entre o primário e a pintura de acabamento.
    Regra geral os primários “jamais levam qualquer tipo de endurecedor” como o levam as tintas de brilho directo e os vernizes. Somente e unicamente são diluídos com diluente celuloso de modo e até ao ponto de o tornar mais viscoso para que passe facilmente nos bicos da pistola. Somente se forem primários de 2 componentes poderão levar endurecedor ou catalisador.

    A secagem do primário sucederá sempre e de forma naturalmente em 10 a 15 minutos sem recorrer a estufas, endurecedores e quaisquer outros tipos de catalisadores porque, pois, acelerar o processo de cura neste componente é somente estragar a sua própria actividade química e reacção de aderência.
    A ter em muito boa conta que nenhum primário pode ser aplicado directamente nas superfícies sem que previamente as mesmas tenham sido devidamente lixadas e bem limpas após esse trabalho, tanto do pó como demais sujidades da superfície já que todas as imperfeições e lixo irão sobressair após secagem do primário. Poderá aqui acontecer que sem lixar superfícies, a química do primário, faça levantar a tinta e todo o trabalho acabe numa grande porcaria de mistelas.

    NOTA - Se acaso houver uma qualquer outra matéria (lixo e sobras de lixagem, borracha, cola, produtos mal secos, tintas por lixar, diluente por secar, betumes e mástiques ainda na sua fase de cura e na superfície que vai ser “atacada” pela química de aderência do primário, o trabalho pode ser comprometido devido à fusão de químicos estranhos ao processo de “fundição e infiltração” do primário e dos seus componentes com péssimos resultados que requerem deixar secar o primário e ter que lixar tudo até fazer uma limpeza total da área ou totalidade da superfície afectada.
    Para um bom trabalho recomenda-se que se aplique uma demão em cima da superfície numa só posição e de modo uniforme (controlando o fluxo do ar da pistola de modo a obter uma pulverização leve) e usando a chamada “Demão Cruzada” para melhor uniformidade, cobertura e aderência à chapa ou metal a cobrir.

    2 – A tinta de “Brilho Directo” não vem preparada para ser deitada em cima da carroçaria tal e qual se faz com uma qualquer outra tinta de esmalte ali da drogaria. Esta tinta, automotiva, tem que ser preparada nas seguintes sequências.

    1. – Mexer bem a tinta dentro da lata a fim de misturar os seus solventes;

    2. – Colocar a tinta numa embalagem limpa com medida pretendida que pode ir até 1 litro ou mais consoante necessidade e superfície a cobrir;

    3. - Ter em atenção à quantidade de tinta pretendida por superfície e não colocar tudo numa lata de 1 litro se não se vai usar a mesma quantidade no mesmo dia e num espaço de 2 a 4 horas.

    4. Usem uma régua graduada de 2.1 ou 3.1. Onde tem a seguinte sequência de misturas:
    Nível 1 – Somente Tinta (independente do tamanho da embalagem plástica onde se faz a mistura que pode mesmo ser de alimentos de Take Away).
    Nível 2 – Somente Endurecedor ou Catalisador
    Nível 3 – Somente Diluente Celuloso

    Depois é só misturar durante uns 3 minutos e deixar descansar essa tinta uns 2 minutos antes de verter a mesma mistura para a pistola de pintura aproveitando o intervalo de descanso para preparação da pistola, máscara, mudar de roupa e passar tela de limpeza sobre a superfície a pintar. Mas antes de o fazerem nesta situação de verter tinta para a pistola terão que usar um filtro de 180 mícron especial para o efeito, caso contrário podem passar lixo que não se vê a olho nu para a pintura e descobrir tardiamente e indesejavelmente que existem uns tais “pontinhos” minúsculos na pintura que depois de secos terão que ser removidos por um polimento final.

    3 – A tinta “Aquosa” também não vem preparada para ser aplicada directamente como as tintas plásticas dos edifícios. Tem uma consistência algo grossa que precisa de ser diluída para que possa ter tanto o rendimento desejado quanto a viscosidade certa.

    Não diluam a tinta com comum água da torneira que contêm doses de calcário que irão sobressair na pintura mais tarde. Também não é com a comum água destilada mas sim, pois, adequadamente com a chamada “Água Desionizada” que vem preparada para o efeito de aplicação em tintas aquosas automotivas.
    Depois terão que usar uma embalagem limpa na medida desejada e deitar a dose de tinta até uma dose que seja capaz de cobrir a superfície a repintar. Logicamente que aqui só se usa a experiência onde:

    1 Dose de tinta de ¼ tem que levar água desionizada até diluir a mesma em ponto pouco mais grosso que a viscosidade de um litro de leite comum (isto como exemplo).
    O leque da pistola (caso não possuam como eu pistolas para tintas aquosas e de brilho directo) deve ser afinado para fina pulverização e cobertura uniforme.

    Após darem uma ligeira cobertura podem optar pela secagem mais rápida da tinta com uso de secador de ar ou mesmo usar secador especial de secagem ou até mesmo um simples secador de cabelo doméstico desde que façam o ar circular a cerca de 70 cm da superfície caso contrário arriscam a cozer em demasia a tinta com resultado final de enrugamento e outros fenómenos que irão aparecer no final.
    Após secagem dá-se uma segunda demão e desta feita afinando de novo o bico da pistola para um leque menos abrangente e de modo a cobrir bem a superfície. Seca-se bem e limpa-se a superfície com tela de limpeza e prepara-se o verniz.

    Nota - Mantêm-se a mesma distância em qualquer caso de tintas de brilho directo e aquosas na medida de um palmo afastado desde o bico da pistola à superfície e sempre em linha directa não demorando muito no mesmo ponto nem sendo demasiado rápido o que evita tinta a mais num sítio e a menos noutra e escorridos.

    Segredo de Pintura - As tintas que usam em pintura de fachadas interiores e exteriores tem sido ao longo dos anos muito mal aplicadas e erradamente diluídas com a simples água da torneira bem rica em calcário e outros químicos desinfectantes atribuídos pelos postos de distribuição pública. O mais correcto é diluir a tinta aquosa para fachadas com percentagens de água destilada usada nas baterias dos carros que evita assim o aparecimento de futuras manchas e garante uma maior pureza.
    ESMALTES CELULÓSICOS

    Eis aqui um assunto de que muitos clientes, amigos e demais pessoas me tem questionado sobre a sua aplicação. Ora, os Esmaltes Celulósicos são tintas que secam por evaporação dos solventes ao ar ou utilizando uma fonte de calor moderada.

    São de fácil aplicação sem necessidade de um recinto especial. Apresentam, entretanto, as seguintes desvantagens:

    - Não têm brilho directo, necessitando de um polimento final;
    - Têm pouca aderência ao suporte a pintar; saltando com um simples impacto;
    - Têm pouca resistência à intempérie natural e baixa durabilidade;
    - Perdem qualidades com o tempo, ficando inevitavelmente amareladas;
    - Têm pouco poder de cobertura, necessitando de aplicação de várias demãos;

    Como consequência dos pontos anteriores, a rentabilidade e a qualidade são fracas. Não compensa a sua aplicação e somente as aplico em certos casos muito excepcionais e muito particularmente em trabalhos só por encomenda e devido às características descritas, estas tintas praticamente não se utilizam nas oficinas.

    ESMALTES SINTÉTICOS

    São tintas de secagem ao ar ou secagem na estufa. Apresentam as seguintes vantagens:

    - Têm brilho directo, não necessitando de polimento final;
    - Têm boa aderência à chapa e demais superfícies;
    - Resistem bem às intempéries naturais e são de alta durabilidade;
    - Têm um bom poder de cobertura sem recorrer a triplas demãos.

    Apesar das vantagens referidas, são tintas que ao ar demoram bastante tempo a secar e na estufa o tempo de secagem é superior ao das tintas Acrílicas. Estas características fazem delas tintas pouco utilizadas, sendo a sua aplicação principal em trabalhos de menor qualidade e em boa parte só aplicadas em alguns veículos comercias.

    ESMALTES ACRÍLICOS

    As tintas acrílicas de dois componentes são tintas que possibilitam maior qualidade e rentabilidade na repintura, sendo as mais utilizadas nos dias de hoje. As suas vantagens são:

    - Têm brilho próprio (mono camada);
    - Possibilita aplicação de sistema bicamada (base fosca + verniz);
    - Têm grande resistência aos agentes externos;
    - Têm um estrato seco muito alto;
    - Têm bom poder de cobertura;
    - Têm uma grande estabilidade da cor.

    Estas tintas podem secar ao ar, mas secam mais rapidamente na estufa automotiva, devendo nestes casos recorrer-se às fichas técnicas de pintura.

    BASES AQUOSAS

    Devido a motivos ambientais, de segurança e até ecológicos, as oficinas são obrigadas a utilizar produtos com menor conteúdos de solventes. Uma das soluções apresentadas pela maioria dos fabricantes, são as tintas de bases aquosas.
    A grande diferença entre uma tinta convencional e uma tinta de água é que a convencional é diluída com solventes enquanto a segunda é diluída com água desionizada, ou seja, na secagem uma “evapora solventes” enquanto a outra “evapora água”.
    As tintas de base aquosa apresentam como principais desvantagens uma secagem muito mais lenta necessitando de se forçar a evaporação com ar ou calor e são tintas que não permitem uma pintura no sistema monocamada devido à falta de brilho e exigem após boa e completa secagem a limpeza através de “telas de limpeza” apropriadas e para finalizar uma a duas camadas de verniz sem o que toda a tinta em contacto com água desaparece.

    O VERNIZ
    O “Verniz” é o que vai segurar a tinta aquosa no sítio e é a única coisa que garante que a chuva e demais intempéries naturais façam com que a carroçaria não fique despida da tinta.
    Regra geral o verniz somente leva dois componentes que pode ser feito do mesmo modo que as tintas de brilho directo (acima indicado) e com a mesma régua graduada de 2.1 e usando os mesmo passos de descanso e filtragem antes de entrar no copo da pistola. Mas a sequência de aplicação tem dois passos de aplicação que é a de “Mãos Cruzadas” onde se aplica a primeira fina demão numa direcção e depois se aplica a segunda demão em posição contrária à primeira direcção garantindo assim que o verniz se fixa de modo uniforme e com mais elevada durabilidade.
    O espaço de aplicação do verniz é tido em conta de acordo com a sua apresentação, ou seja se é um verniz de secagem lenta ou rápida. Se for de secagem lenta pode-se deixar um espaço de 4 minutos entre cada demão e se for de secagem rápida temos que ter em questão a aplicação da segunda demão num espaço de alguns segundos que podem ir de 30 segundos a 1 minuto de intervalo.
    A secagem do verniz é feita essencialmente em estufa e na falta desta leva demasiado tempo a haver uma cura total e completa que só a estufa oferece uma vez que seca as superfícies por inteiro e não por metades que podem ficar mais curadas numa parte e menos em outras.
    A maioria dos vernizes aplicados tem e devem, pois, que ser polidos primeiro com aplicação de massa de corte, seguindo-se polimento de polish médio e por fim polish de brilho.

    Finalmente, para terminar vou terminar com aquilo que se chama “Incompatibilidade entre Tintas” que existem quando estas não são do mesmo tipo, o que obriga a que o profissional de pintura tome certos cuidados específicos para não provocar defeitos de pintura que estragam o trabalho e obriguem a fazer novamente todo o serviço com os bem conhecidos inerentes prejuízos.
    É bem conhecida a aplicação de produtos celulósicos sobre produtos sintéticos que cria um “enrugamento da superfície” devido à mistura de química de componentes que são “incompatíveis” entre si. Do mesmo modo se houver aplicação de um aparelho celulósico sobre betume de poliéster cria-se uma espécie de “auréola” na zona circundante ao betume e pode mesmo provocar um “abatimento” da zona. Por outra razão se também se aplicar betume celulósico sobre tintas acrílicas dá-se origem ao aparecimento de rachas e respectivo abatimento da superfície tratada com betume.

    Em muitos dos casos é recomendada uma boa leitura de fichas técnicas do fabricante e claro, inevitavelmente, alguns bons conhecimentos práticos dos materiais a aplicar e dos que existem e são fabricados bem como uma cuidada preparação das superfícies a pintar.
    Logicamente aqui irão suscitar algumas dúvidas, talvez algumas críticas de quem aplicou isto e aquilo sem ter visto maus e/ou bons resultados em primeira demão que resultasse qualquer grande maleita final vista tão de imediato como era de esperar, mas o mais certo é que fazer um bom trabalho é um coisa e fazer por fazer e se ter visto é outra, o que me faz lembrar o velho ditado: “Olha para o que eu te digo e não para o que eu faço”.
     
  2. Obrigado Prof.,bom topico.
     
    Ric Martins e Luis C Matos gostaram disto.
  3. maravilha de explicaçao . obrigado vai dar muito jeito.
     
    Luis C Matos gostou disto.
  4. Excelente tópico...
     
  5. Olá Luis Bom dia, precisava de uma ajuda tua, séra que posso aplicar o primário em cima do conversor de ferrugem??
     
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