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Chapas de matrícula

Tópico em 'Legislação' iniciado por Fernando Ramos, 7 Ago 2006.

Tópico em 'Legislação' iniciado por Fernando Ramos, 7 Ago 2006.

  1. Olá,
    Sou ainda um membro muito novo desta comunidade mas já preciso da vossa ajuda a propósito de uma chapas de matrícula para dois veículos de 1948 que eu e um amigo meu estamos a restaurar.
    Como se depreenderá eu quero colocar umas chapas de matrícula idênticas às que o veículo ostentava quando saiu do stand da Land-Rover nesse ano.
    Acontece porém que após buscas profundas cheguei à conclusão que o regulamento mais antigo que define a forma e dimensões das chapas de matrícula de fundo preto e caracteres brancos é do Art.º 37 do DL 39987 de 22/12/54... (Regulamento do Código da Estrada).
    Mas e antes? Deveria existir um qualquer regulamento?
    Era aqui que eu necessitava dos conhecimentos dos experts...
    Muito obrigado desde já pela vossa colaboração,
     
  2. Caro Fernando Ramos,

    Eu próprio sou um entusiasta dos Land Rover embora não tenha nenhum. Já tive um Range Rover e, ainda recentemente, estive quase, quase para comprar um Série pois o bichinho dos Land Rover não passa! Efim...

    A questão que põe é muito interessante. Tanto quanto julgo saber, os Série I vinham de fábrica com umas chapas pretas, uma no guarda-lamas dianteiro e a outra junto à mala, ambas do lado direirto. E assim seguiam para todo o mundo, sendo suposto que os números de matrículas fossem pintados de branco, no mercado de destino. Penso que era esta a norma em Portugal. Tenho visto alguns Série I's assim, com os números pintados de branco, seguindo o tamanho e tipo de letra comum (o tal regulamentado pelo decreto/lei que refere).

    Anteriormente a 22/12/54 confesso que não tenho grande informação. O que sei sobre regulamentação de circulação no nosso País é o seguinte:

    Em 1686, as "Ordenações do Reino" de D. Pedro II estabeleciam regras de prioridades para coches, seges e liteiras onde, pela estreiteza da rua, fosse preciso recuar. não havia legislação específica quando os primeiros veículos motorizados apareceram no final do séc.XIX

    Quando o Conde de Avilez comprou o primeiro automóvel a entrar no nosso País,em 12 de Outubro de 1895, um Panhard&Levassor (que ainda existe e é propriedade do Automóvel Clube de Portugal, clube esse que foi fundado em 1903, então chamado de Real Automóvel Clube de Portugal, na sequência da organização da primeira corrida de automóveis realizada na Península Ibérica, entre Lisboa e a Figeuira da Foz, a 27 de Outubro de 1902!), causou grande confusão na Alfândega de Lisboa pois não sabiam como "classificar" tão estranha máquina. Naturalmente, era importante "classificar" pois era de acordo com o tipo de mercadoria que se aplicavam as taxas alfandegárias... A dúvida era entre "máquina agrícula" e "locomobile" (uma máquina a vapor). Acabou por se considerar "locomobile"!

    Só em 1901 foi o aprovado o "Regulamento sobre a Circulação de Automóveis", aprovado que ordenou o trânsito das viaturas de tracção a motor e animal. Passam dez anos e uma queda de regime e,em 1911, publica-se um primeiro esboço do "Código da Estrada". Recomendava-se aos condutores que avisassem o Automóvel Club de Portugal ( já sem o "Real"...) caso encontrassem estradas em mau estado, para que este participasse à Direcção de Obras Públicas. NO fundo era a versão "vintage" do SOS Buracos!
    Por sua vez, o Guia Oficial do ACP de 1913, alertava os condutores para a inclinação de algumas rampas de Lisboa e Porto. As rampas da rua da Cordoaria Velha e da rua das Taipas eram as mais temidas, com pendentes de 20%!!!

    Só em 1928, um ano depois da criação da Junta Autónoma de Estradas, é que a designação de "Código da Estrada" é oficialmente atribuída em Decreto que introduz, em Portugal, a obrigatoriedade de circulação pela direita das faixas de rodagem. Até então, a circulação automóvel era feita pela esquerda, à inglesa.

    A sinalização das estradas, iniciada em 1920 pela Vacuum Oil Company — a primeira companhia petrolífera a instalar-se em Portugal — tornou-se, posteriormente, incumbência do Conselho Superior de Viação. Para além das indicações aos automobilistas, a sinalização era também utilizada para promoção de locais turísticos!

    Só nos anos '30 é que a sinalização passou a ser da responsabilidade da Junta Autónoma de Estradas.

    Entretanto mete-se a II Guerra Mundial e aparece o decreto que refere.

    Se conseguir saber mais coisas, diga-me!

    Um abraço,
    Pedro Santos Jorge
     
  3. Olá,

    Muito grato pelas dicas.
    Uma observação: tem a certeza que os LR´s vinham de Solihul já com as chapas pretas e colocadas do lado direito? Recorda-se como soube isso?
    E quanto à numeração atribuída em Portugal? Deve haver comcerteza um decreto (régio) onde se terá estipulado que as matrículas deveriam seguir a norma AA-00-01 e por aí em diante...? e aí sim estabelecidos o tipo (tamanho) dos caracteres a utilizar... penso eu.
    E é mesmo disso que eu ando atrás!
    Cumprimentos,
     
  4. Caro Fernando Ramos,

    A informação sobre as chapas de matrícula dos Série I tirei-a do "Restoration Manual - Land Rover Series I, II & III", do Lindsay Porter, editado pela Haynes (http://www.amazon.co.uk/gp/product/1859606229/026-7801976-1310829?v=glance&n=266239). Quando digo do lado direito, refiro-mo ao lado do condutor.

    No que diz respeito à forma das chapas de matrícula, bom, inicialmente existia um modelo com fundo preto e letras/números brancos com a seguinte disposição: A - 000. A letra podía ser "N", se o carro fosse registado na zona Norte e "S", se na zona Sul. Curiosamente também podía ser usado o "M" caso o carro fosse da Madeira. Não sei se se usava o "A" para os dos Açores... Confesso que não sei ao certo quando se implementou este formato nem quando se modificou para o AA-00-00. Talvez em '54, aquando do decreto/lei que menciona? Pelo menos até aos anos '30 ainda vigorava o modelo "A-000".

    Vou tentar saber mais informações.

    Um abraço,
    Pedro Santos Jorge
     
  5. Olá,
    Mais uma vez obrigado pelas dicas.
    O tipo AA-00-01 tem de ser anterior a 1948, pois o meu carro é desse ano e já usa este tipo de numeração... daí que entre os anos 30 e pelo menos 1948 teve de haver um regulamento qualquer. Pode ser que ainda consigamos descobrir.
    Um abraço,
    FR
     
  6. Ontem estava a passar os olhos pelo livro "História do Automobilismo Português" e reparei num pormenor interessante:
    Para quem tem acesso ao livro vejam na página 60 a foto do Manuel de Oliveira no campeonato de rampas de 1938. O carro? Ford especial matrícula MN-70-21 !
     
  7. Olá a todos.

    Em relação aos Land Rover na referida data eles de facto vinham com as duas chapas negras, mas a traseira vinha no lado esquerdo e a da frente na direita. Ambas levavam números em alumínio pintados a branco, que no caso português era feito pela Garagem Vitória em Lisboa (importador na época).
    Mas como sempre existiam alternativas e apenas na matrícula da frente, eles por vezes (ou penso eu que na maioria das vezes) aplicavam um suporte no para choques para uma matrícula rectangular metálica com rebordo arredondado e as letras também em alumínio pintadas a branco.

    Um abraço
    André Fortunato
     
  8. Os carros quando começaram a entrar em Portugal foram sendo matriculados a exemplo do que se faz hoje mas as matriculas eram do genero A-12345, depois de se verificar que depressa se atingiria todas as combinações possiveis foram alteradas para AA-00-01, mas obedecendo as matriculas anteriores por exemplo A-12345 passaria a AA-12-34 não sei precisar datas mas meu pia teve um Fiat de matricula AD de 1935.
    Quando passou a existir a conservatoria tambem no Porto as matriculas de A a J seriam para Lisboa de M a Z para o Porto e a letra L para os motociclos.

    Poderei ter algumas imprecisões mas basicamente foi assim.
    Espero ter ajudado
     
  9. Calhou agora tropeçar nesta interessante conversa quando procuro o tipo de letra a empregar nas chapas de matrícula de um tractor Ferguson de 1951.

    "A mon avis", já tivemos pelo menos nove critérios para as nossas pobres matrículas auto.
    Primeiro- A-12345
    Segundo- AA-00-01 ( Talvez a partir de 1930, tenho um veículo de 1934, AC-95-24 )
    Terceiro- ??-11-01 ( A partir de talvez 1940, o primeiro conjunto de algarismos passou a reportar o ano da matrícula. O Tractor tem como matrícula GH-17-34 e é de 1951. 11, 12, 13, 14, ... salvo erro até 22)
    Quarto - Como acima diz António Carrapiço, de A a J para Lisboa, de M a Z para o Porto e L para as motos. Não sei se este pode ser um novo critério ou se desde o início já estava "embebido" no anterior.
    Quinto- Aí pelos anos 60, "make love not war" um período em que deliberadamente se impediu o significado cronológico das letras e dos algarísmos. Miudo, ouvi então dizer que se pretendia o não reconhecimento da data para que a mesma não contribuisse para a desvalorização do veículo. Um pouco à semelhança das começadas por K, critério que foi removido para evitar um estigma.
    Sexto- As famosas matrículas CE AA-00-01, de novo com o mesmo critério, agora em fundo branco.
    Sétimo- Os K
    Oitavo- A obrigatoriedade da inscrição do ano e do mês de matrícula.
    Nono- Por esgotamento da combinatória, passaram as letras para a posição central.

    Como podemos verificar, até os assuntos mais prosaicos são devidamente complicados por uma administração incapaz de ver o futuro além da tasca e que pratica o autoritarismo de pregar multas, num quadro que devidamente complica para que ninguém sem piloto possa entender o mar em que navega.

    Por mim, vou pintar a minha matrícula em duas chapas de fundo preto, com as dimensões de, milímetros, 460 x 110 e 340 x 220, com o tipo de letra SWIS 721 e altura de 75.

    Fico depois a aguardar a disposição da autoridade.
     
  10. Acho que o que o Fernando Ramos procura é saber o formato e a posição da chapa de matricula, não o seu numero ou a explicação dele, pois esse ele tem-no no livrete (embora deva ser uma matricula **-14-** ou eventualmente um 13).

    O que havia na época, neste momento, à luz da nossa lei é indiferente, pois temos que nos cingir a lei actual na questão de identificação da matricula.

    Porém poderá a originalidade interessar ao proprietário e não querer as "novas" matriculas, mantendo o formato das antigas, pintadas a mão?
    Legalmente não, mas comprendo que tenha argumentos para querer essa chapa, aliás é um dos pontos em que chumba na IPO, se a matricula não for regulamentar ou até mesmo ser apreendido pelas nossas autoridades.

    O sítio mais correcto para saber exactamente que tamanho de chapa fazer e pintar em que tipo de caracter as letras, é o CPAA, tem imensas fotos da época e poderá tirar algumas conclusões.

    Aliás, se ligar para o CPAA de Paço Arcos e perguntar ao Dionisio, ele saberá de cor o que se usava, pois ele é dessa "época"
     
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