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Alfa Romeo Giulietta Sprint - Um marco histórico na Indústria Automóvel

Tópico em 'O nosso hobby: Clássicos' iniciado por Marco Pestana, 19 Mar 2008.

Tópico em 'O nosso hobby: Clássicos' iniciado por Marco Pestana, 19 Mar 2008.

  1. Caros amigos;

    Um dos modelos marcantes de toda a história Alfa Romeo, foi sem dúvida o Giulietta Sprint, apresentado no Salão de Turim em 1954.

    Aspectos da sua história e a sua importância na época.

    O porquê do seu sucesso.

    Tudo começou após a compra do meu Alfa Romeo Giulietta Sprint 750B de 1956, que relato neste tópico:

    http://www.portalclassicos.com/forum/showthread.php?t=2963

    Fotos de vários Alfa Romeo Giulietta Sprint

    Giulietta Sprint 750B ( 1954-1959 )
    Giulietta Sprint 101 ( 1959 > )
    Giulietta Sprint Special Zagato SZ
    E um exemplo, muito belo, de uma Giulietta Sprint preparada para provas de circuito.
     

    Ficheiros Anexados:

  2. Algumas fotos da época, com o protótipo do Alfa Romeo Giulietta Sprint.

    Repare-se no pormenor da 3a porta traseira, no protótipo. Na produção, foi substituida por uma mais pequena, e sem englobar o vidro traseiro.
     
  3. História do Alfa Romeo Giulietta Sprint

    Era uma vez...


    Em 1951, sob o ímpeto de Giuseppe Luraghi e Francesco Quaroni, iniciam-se os estudos de viabilidade de um novo modelo Alfa Romeo, de pequenas dimensões; com um motor de média cilindrada - O futuro Alfa Romeo Giulietta Berlina ( que como se verá mais tarde, surge após o lançamento do modelo Sprint...) - cujos componentes mecânicos deram origem à Giulietta Sprint em 1954 e o modelo Spider em 1955.

    O novo modelo pesava aproximadamente 850 kg, com espaço para 4/5 pessoas, movido com um motor 4 cilindros em linha e RWD ( Rear Wheel Drive - Tracção traseira ).

    Tendo como objectivo uma cilindrada aproximada aos 1290cc, prevenindo a " colisão" com um modelo de sucesso da FIAT, o modelo 1100/103, e assim na mesma época e no mesmo mercado, permitir à Alfa Romeo oferecer o novo modelo, como uma brilhante alternativa, com melhor velocidade de ponta; maior "performance" associando um design sedutor.

    Todavia, o Giulietta tinha outros concorrentes à nascença, os modelos franceses - Citroen e Renault - que comercializavam modelos de 1100cc de grande sucesso em vendas.

    A complexidade do programa de produção industrial do Giulietta Berlina , associou-se ao problemático acerto de pormenores ( especialmente a definição e refinamento dos interiores do modelo ) requereu mais tempo que o programado incialmente, o que levou
    ao aparecimento dos modelos Sprint e Spider antes da versão Berlina.

    A escolha pelo nome GIULIETTA ( do célebre Romeo e Julieta ) foi influenciada pelo nome poético de um dos fundadores: Nicola Romeo, mas também foi sugestão da Sra De Counsadier, esposa do poeta Leonardo Sinisgalli, que era a imagem e consultor de publicidade da Finmeccanica e director da revista " Civilitá delle macchine ".
     
  4. Em 1951 a " Carrozzeria " Bertone era um pequeno complexo industrial localizado em corso Peschiera - Turim, empregando cerca de 210 colaboradores. O dono era Nuccio Bertone, com 37 anos à época, filho de Giovanni Bertone, fundador da empresa em 1912. Sendo um dos mais antigos construtores de carrozzerias em Itália, criada especificamente para construir carruagens e carrozzerias para automóveis.

    Num do primeiros contactos entre a Alfa Romeo e a Bertone, para equacionar a possibilidade de colaboração na produção do Sprint, o Engº Rudolf Hruska ( Um Engenheiro Austríaco, que nos anos 70 foi o "pai" do projecto Alfasud - No sul de Itália, tendo trabalhado inicialmente com o Ferdinand Porsche ) visitou as instalações da Bertone: a empresa não aparentava a melhor "saúde", mantendo indubitavelmente fantásticas capacidades no design, e na produção de pequenas series.

    O "problema" da Bertone era a inexistência, na altura, de encomendas dos 3 principais construtores italianos, sendo Hruska convidado a observar o processo de montagem dos britânicos MG, que a Bertone realizava para o importador americano Arnolt.
     

    Ficheiros Anexados:

  5. simplesmente um verdadeiro espetaculo o 750B
     
  6. A ideia de criar a partir do modelo Giulietta, dois pequenos desportivos correspondia integralmente com o espírito e tradição da Alfa Romeo, mas a dificuldade residia na decisão na escolha de qual o coachbuilder que criaria o coupé ( Sprint ) e o roadster ( Spider ).

    Nuccio Bertone como Pinin Farina, eram apaixonados; inteligentes criadores de automóveis, mas não propriamente designers. De facto, Franco Scaglione, Giovanni Michelotti, Marcello Gandini e Giorgetto Giugiaro, eram os formidáveis desigers de automóveis ao seu serviço por várias vezes.

    Nuccio Bertone era um verdadeiro Scout talent , e o seu sucesso residia em grande parte, à sua escolha intuitiva nas capacidades e talento dos seus designers automóveis.

    A colaboração entre Franco Scaglione e Bertone iniciou-se com o FIAT Abarth 1500 coupé apresentado no Turin Auto Show de 1952. Incluindo o Arnolt Bristol roadster (1953-1954), o estupendo B.A.T. 5, B.A.T. 7 e B.A.T. 9 ( de 1953, 1954 e 1955, respectivamente ), dois protótipos da Alfa Romeo Giulietta Spider ( 1955 ), o FIAT Abarth 215 A coupé e o Abarth 750 de um único lugar ( 1956 ), o Alfa Romeo Giulietta Sprint Speciale ( 1959 ), o FIAT-O.S.C.A. 1500 ( 1959 , e exemplar Maserati 3500 GT personalizado( 1959 ).
     

    Ficheiros Anexados:

  7. A Escolha final da Bertone para o Sprint, foi realmente complexa e difícil de clarificar, agora passado tanto tempo.
    Uma vez que para a definição formal do modelo, gerou-se uma competição envolvendo 3 coachbuilders: Bertone e Ghia de Turim e Boneshi de Milão. Inicialmente essa competição também involvia a Carrozzeria Touring, que tinha " vestido" o chassis do estraordinário 6C 2500 SS e preparou também o 1900 Sprint.

    Nenhum acordo ou consenso, em suma, foi atingido entre eles, na boa tradição latina ( Em Portugal onde já vi isto? Déjá vu...)

    As maquetes em gesso, numa escala 1:10, iniciaram-se a 15 de Dezembro de 1952 pelo próprio centro design da Alfa Romeo, sob desenho do designer Giuseppe Scarnati.Mas os restantes 3 coachbuilders apresentaram também as suas interessantes propostas.

    Mas logo de imediato, somente as duas com sede em Turim, têm por parte da Alfa Romeo,os seus projectos em consideração, porque o modelo proposto pela Carrozzeria Boneschi foi recusada por ser considerada " americanizada".

    Usando os modelos iniciais da autoria de Scarnati, a Alfa Romeo responsabiliza Ivo Colucci na produção de um modelo funcional, com um motor 1290cc montado, para os testes efectuados por Consalvo Sanesi, Guido Moroni e Bruno Bonini.
     
  8. Mario Felice Boano, dono com Luigi Segre da carrozzeria Ghia, em colaboração com Franco Scaglione trabalham no desenvolvimento do protótipo, e então, uma vez acordado que as duas empresa ( Bertone e a Ghia ) teriam uma colaboração na fase industrial do projecto - A Bertone assinou pela ocnstrução das carrozzeria inacabadas, e a Ghia seria responsável pela pintura, interiores e acabamentos .

    Mas, a Ghia acaba por sair do projecto: para esta, seria difícil instalar uma linha de produção industrial , mesmo para uma pequena serie, segundo as premissas e caderno de encargos via Tommaso Grosi.

    Francesco Quaroni deduziu que do desacordo entre Boano e Segre, poderia causar um atraso no programa, assim a Ghia ( Anos mais tarde, tudo indica que o modelo da VW Karmmann-Ghia, teve como inspiração o design do Alfa Romeo Giulietta, tendo em conta a estreita relação da casa Ghia no nascer do projecto Giulietta )foi " forçada " a recusar este importante contracto directo.

    Todavia, a Bertone mantém a sua colaboração industrial. Mais tarde o próprio Francesco Quaroni relata numa reunião a Anselmi, os seus receios sobre o número de unidades a produzir definidas no contracto. Que indicava a produção de uma 1a série composta por 1000 unidades.


    Uma Giulietta Sprint pintada de Rosso Alfa, foi finalmente, revelada à imprensa no dia 11 de Abril de 1954, na sua sede em Portello_O responsável, por parte da Alfa Romeo,pelo contacto com a comunicação social à época era Piero Farné, que em conjunto com Emilian recuperou a relação jovial com esta.

    Foi só o início do muito que estava predestinado para esta fantástica Giulietta...

    O brilhante; sólido 4-cilindros em linha " Bialbero"; a presença e as linhas modernas, levaram o Alfa Romeo Giulietta Sprint a um clamoroso sucesso! Abrindo as portas à criação também de um sedan: Uma vez ultrapassadas os problemas gestacionais do projecto, foram literalmente postos de parte, durante o sucesso da apresentação, em conjunto do modelo Giulietta Spider sob responsabilidade de Pinin Farina, durante o "Turim Auto Show" , na sua edição de 1954.

    Entretanto, a recepção enorme que a Giulietta Sprint, em azul claro, apresentada no Turim Auto Show, excedeu de todo o melhor das expectativas. Logo ali, receberam-se 700 encomendas do novo modelo da Alfa Romeo, a 1.735.000 Liras cada.
     

    Ficheiros Anexados:

  9. gosto muito deste modelo, mas o 1100 103 é aquela coisa...
     
  10. As 700 encomendas efectuadas no Valentino Exhibition Hall, confimavam os receios da Bertone, que não estaria equipada ao ponto de responder cabalmente aos pedidos efectuados pelos clientes.

    Mas não tinha alternativa, e pedindo auxílio à Ghia, e subcontratando oficinas de Turim para a produção de certos componentes do monocoque. Virtualmente Turim, trabalhava inteiramente na Giulietta Sprint, que era montada e equipada nas instalações da Bertone, numa cadência de 15 unidades/dia .

    Neste pormenor, Pietro Dallera, em 1954 cria uma " divisão especial " para a montagem do Alfa Romeo, onde na Bertone eram construidos os monocoques, montados nas suas instalações, onde eram pintadas e acabadas internamente antes de serem enviadas para Portello, para a montagem final das partes mecânicas e testadas.

    A revista " Auto Italiana" relata na altura, dando-lhe grande ênfase:

    "É um sucesso Nacional e Internacional, para a indústria Italiana, porque este carro ( Giulietta ) foi sonhado e desejado por todos os que querem um carro com qual tenham na garagem um carro de estrada com caracteristicas desportivas"

    Este sucesso instantâneo do Giulietta Sprint obrigou à montagem d euma nova linha de montagem em Portello.
    É interessante notar que entre os anos de 1951 a 1957 on total das vendas da Alfa Romeo cresceu 187%, com somente um aumento da força de trabalho de 34%. O pico de produção foi atingido em 1954, com o máximo de vendas do modelo 1900 e o lançamento no mercado do Giulietta Sprint.
    Durante o mesmo período ( 1951-57 ), a compra de maquinaria pesada, resultou num aumento de produção, que triplicou.

    Desta forma a Alfa Romeo salvou-se da crise em que se encontrava.

    Uma vez mais a importância do Giulietta Sprint para a empresa Alfa romeo está bem patenteada por estes factos.
     

    Ficheiros Anexados:

  11. O Alfa Romeo Giulietta teve oficialmente estas variantes:


    * Berlina/TI (Saloon/Sedan)
    * Sprint (Coupe)
    * Spider (Convertible)
    * Sprint Speciale (SS)
    * Sprint Zagato (SZ)



    Produção total modelo Giulietta Sprint:

    750 Series
    1954-1959 (Veloce 1956-1959).
    Total Production c. 8,000 -
    6,600 Sprints (750B)
    1,400 Sprint Veloces
    (750E lighweight/standard type body)

    101 Series Giulietta
    1959-1963 (Veloce 1959-62).
    Total Production c. 19,500 -

    17,800 Sprints
    1,700 Sprint Veloce

    101 Series Giulia 1600
    1962-1964. Total Production c. 8,100.


    Produção total modelo Giulietta Spider:



    750 Series
    1955-1959 (Veloce 1956-1959).

    Total Production c. 7,200 -
    5,950 Spider Normale (750D)
    1,250 Spider Veloce (750F)

    101 Series Giulietta
    1959-1962 (Normale & Veloce).
    Total Production c. 8,800:
    7,300 Spider Normale
    1,500 Spider Veloce

    101 Series Giulia 1600
    1962-65. Total Production c. 11,500 -
    9,100 Spider Normale
    1,100 Spider Veloce
    400 RHD Spider Normale

    Produção do Giulietta Sprint Zagato:



    Coda Tonda (SZ1 Round Tail)
    1959-60. Total Production c. 180

    Coda Tronca (SZ2 Kamm Tail) - " Coda Tronca "
    1961. Total Production c. 30
     

    Ficheiros Anexados:

  12. O carrito do amigo Fabno de Génova :D
     

    Ficheiros Anexados:

  13. Amigo Francisco:

    Esse belo exemplar, já é a Sprint 1600cc, dos últimos exemplares. o " tablier" é diferente do modelo Giulietta 750B e do 101.

    Abraço
     
  14. Em relação à produção da Giulietta Berlina e Ti:

    750 Series
    1955-60. Total Production c. 56,500 -
    28,600 Berlinas
    27,900 TIs
    101 Series
    1959-64. Total Production c. 79,000 -
    11,000 Berlinas
    67,200 TI 1300s (LHD)
    1,000 TI 1300s (RHD)
     

    Ficheiros Anexados:

  15. Marco que se passa? Anda muito entusiasmado com o Alfa Romeo!
     
  16. É natural!

    Além de ter uma Giulietta Sprint, tenho feito um trabalho que embora moroso, dará os seus frutos: A recolha de toda a informação de pormenor possível sobre o modelo! ;)

    Neste momento tenho conhecimento de 5 Giulietta Sprint no nosso país...

    Mas existem mais...

    Alguém sabe onde elas estão??
     
  17. Parte II


    O Estilo da Alfa Romeo Giulietta Sprint


    Que lança uma nova fórmula de coupé "à Italiana"!

    A Giulietta Sprint foi criada no melhor período do design automóvel Italiano. Estilo esse que havia surgido a partir da segunda metade dos anos 30 do séc.XX.

    As formas rígidas dos modelos associados ao estilo Déco -Como por exemplo os Bugatti de Jean Bugatti ou os Lancia Asturas por Pinin Farina, foram substituídos pelas formas arredondadas, pelas formas esculturais, sugerindo-se como resultantes dos estudos pioneiros e mais aprofundados na aerodinâmica.Contrastantes com as formas geométricas da moderna arquitectura à época.

    A Alfa Romeo fica com os créditos de reafirmar e desenvolvido o design italiano.

    E por esta razão que a Carrozzeria Boneschi de MIlão, foi imediatamente excluída da competição, porque a sua sugestão seguia os padrões do estilo americano...


    Os automóveis italianos caracterizavam-se, neste período, e muito graças à Giulietta Sprint, por volumes sinuosos quão harmoniosos, com grande equilíbrio. Sugerindo velocidade e potência.

    Talvez, podemos mesmo considerar a Alfa Romeo Giulietta Sprint a "obra-prima" do design da escola italiana , pela sua "síntese" nas formas e distribuição de massas, este coupé pode pode ser apontado como um símbolo deste período.

    O seu aspecto curvilíneo, de linhas simples delineando o espaço do pequeno mas genuíno Alfa Romeo, mantendo somente o essencial.

    A característica frente, com o Scudetto central e as duas " aberturas " laterais, resultando na aparente agressividade da Giulietta Sprint. A estrutura do tejadilho aligeirada ao máximo, contribuindo bastante o vidro curvo traseiro enorme e de fomato invulgar, e dos vidros laterais sem contorno em chapa.

    O enorme e luminoso vidro traseiro integra-se perfeitamente e d euma forma fluida na estrutura traseira, terminada nos pequenos farolins traseiros.Fluidez essa também expressa na parte frontal da Giulietta Sprint, rematada nos dois pequenos faróis Carello ( modelo 750B ) dianteiros.

    Tendo como únicos elementos decorativos, os frisos cromados na base da porta e laterais da mesma.
     
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