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50 Anos Renault 16

Tópico em 'História e Cultura' iniciado por João Pegadas, 6 Nov 2015.

Tópico em 'História e Cultura' iniciado por João Pegadas, 6 Nov 2015.

  1. Confesso que estou incrivelmente desiludido com os média automobilísticos quanto ao 50º aniversário do Renault 16, passou tão despercebido que acho uma falta de consideração por parte das revistas e mesmo páginas web ligadas a este meio que aqui falamos. Dos 60 anos do Boca de Sapo toda a gente se lembra, dos 60 anos do Alpine, a mesma coisa, mas o facto de não darem o devido mérito a este carro, para mim, esta é que foi a maior das desilusões e visto que já vou muito tarde de fazer o quer que seja no que diz respeito à divulgação do assunto, prefiro antes compartilhar convosco um breve resumo que elaborei sobre este fantástico automóvel...

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    Portanto, vou escrever assim de um modo muito resumido a sua história, passando pelas inovações técnicas e modelos, acompanhando respectivamente com umas fotos...

    Em 1958, a Renault manifestava claras intenções de conceber uma nova viatura topo de gama para uma classe mais exigente e em constante transformação. O "velhinho" Frégate de 11 CV não obteve grande sucesso em França e na Europa em geral, mas foi relativamente bem recebido no exterior, nomeadamente nos Estados Unidos, assim como o modesto Dauphine.
    Com Pierre Dreyfus a ter grande sucesso nos automóveis citadinos, surgiu a necessidade de conceber um Renault de uma classe superior que pudesse cativar tanto o mercado Europeu como o Americano. E assim surgiu o Projecto 114...

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    Com um design típico de limosousine da firma italiana Ghia e equipado com um motor de 2200 cc de 6 cilindros e suspensão hidropneumática, o projecto tinha de tudo para ser lançado... até acontecer o imprevisivel! Em 1961, Pierre Dreyfus decidiu terminar o projecto 114, das inumeras causa que o levaram a tal decisão, as principais centravam-se na queda das vendas nos EUA, na tensão entre os vários mercados Europeus e nos custos previsionalmente estabelecidos para o projecto... assim nasceu o Projecto 115!

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    Com base nas decisões do Presidente da Régié, P. Dreyfus, estabeleceu-se que o novo Renault teria uma cilindrada de 1500cc e deveria ter um "design ousado e original e em nada similar a um 404, um Reckord ou um Taunus" . Deveria de ser o carro que todos os técnicos e engenheiros da Renault quereriam para o dia-a-dia... moderno, espaçoso, prático e confortável.
    As suas linhas foram uma obra conjunta de Philippe Charbonneaux e Gaston Juchet. Este último, além de designer era também engenheiro de aerodinâmica, pelo que Pierre Dreyfus, o encarregou da concepção do Renault 16…

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    Apresentado entre 11 e 22 de Março de 1965 no Salão de Genebra, o Renault 16 desde logo captou o público pelo seu desenho absolutamente inovador: uma carroçaria 2 volumes (hatchback) com um grande portão traseiro para acesso à bagageira.

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    Resultado do “cruzamento” de uma berlina com uma carrinha, o Renault 16 oferecia uma polivalência de utilização absolutamente inédita para a época. A bagageira dispunha de quatro diferentes configurações, com um volume entre o 346 dm3 e os 1200 dm3, graças ao banco traseiro deslizante, rebatível e amovível. Os bancos adaptavam-se a todo o tipo de utilização: desde a instalação de uma cadeira para crianças, a uma posição de repouso e até mesmo posição cama.

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    Concebido como um automóvel completamente distinto de tudo o que havia na concorrência, rapidamente convenceu o público e a imprensa, arrecadando o título de “Carro do Ano” em 1966, à frente do Rolls Royce Silver Shadow…
    O Renault 16 marcou também o seu tempo pela modernidade e pelo pioneirismo das características técnicas. O seu brilhante comportamento dinâmico era justificado pela excelência do chassis de tracção dianteira – uma solução técnica ainda bastante rara no seu segmento – e pelo motor colocado em posição central dianteira. O bloco do motor, a cabeça e a caixa de velocidades eram em alumínio, uma estreia absoluta no mercado Europeu! Além disso, estava dotado do sistema de ar fechado, que se estreou mundialmente com o Renault 4L, em 1961.

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    Em 1968, surge a versão TS que introduz novos equipamentos absolutamente inovadores, como o vidro traseiro com desembaciamento, os faróis adicionais de iodo, os limpa para-brisas com 2 velocidades e 4 jactos e, o retrovisor com regulação dia/noite. Em 1969 são introduzidos faróis de marcha atrás, vidros dianteiros elétricos, tecto de abrir de comando eléctrico e os estofos em couro. O Renault 16 era uma forma de “viver” o automóvel.

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    Originalmente comercializado com um motor de 1470 cm3 de 55 cv, a gama foi enriquecida, em 1968, com um motor de 1565 cm3 de 85 cv. Em 1969, o Renault 16 estreou a primeira caixa automática de origem francesa que estava inicialmente disponível no R16 TA (Transmissão Automática), mas que, a partir de 1972, passou a ser opcional para todos os motores da gama, detalhe ainda raro numa viatura do seu segmento.

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    Ao longo da sua carreira de 15 anos, o R16 foi alvo de diversas evoluções entre as quais uma 2ª fase, em 1971. A traseira foi redesenhada, apresentando agora umas ópticas rectangulares de aspecto mais moderno.

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    Em 1973 é lançada a versão TX, que recebeu um motor de 1647 cm3 de 93 cv e que dispunha de uma caixa de 5 velocidades, capaz de o impulsionar a uma velocidade máxima de 175 km/h. Esta versão trazia, de série, vidros eléctricos, fecho centralizado das portas e cintos de segurança com enrolador, dois equipamentos completamente inovadores para a época e impossíveis de se encontrar na concorrência directa. Era o topo de gama da Renault...!

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    Em 1980 foi decidido cessar a produção do Renault 16, numa altura em que o modelo ainda apresentava alguma procura. No total, foram produzidos 1.851.502 exemplares - posicionando-o à frente do Citroën Boca de Sapo nas vendas - e tornou-se num modelo fulcral para o crescimento da Renault, quer na Europa, quer nos Estados Unidos.

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    O Renault 16 revelou-se desde o inicio como um automóvel de uma incrível polivalência, além de ser muito avançado para a época que, aliado a uma arquitectura moderna e funcional, rapidamente conquistou o público e se tornou num automóvel “ao ritmo da vida”.

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    Não é grande coisa, mas aqui fica a minha homenagem ao Renault 16, um verdadeiro pioneiro no mundo automóvel e um carro que foi claramente uma referência para muitas das famílias dos anos 60 e 70...
    Abraço ;)
     
    #1 João Pegadas, 6 Nov 2015
    Última edição: 6 Nov 2015
  2. Excelente apresentação do R16!
    O carro tem imensos extras que nunca julguei já existirem na época.

    Muito bom e de facto um verdadeiro merecedor de carro do ano.
     
    João Pegadas gostou disto.
  3. Só tenho a dizer bem deste modelo. O meu pai teve um 16TS de 76 e o motor era de uma elasticidade fora do comum.
    Uns anos mais tarde tive um TX com vidros eléctricos e mantive a ideia muito positiva do modelo.
    Três pontos/pormenores que me lembro dos R16 TS/TX além da elasticidade do motor.

    1 - Não tinham bancos tinham poltronas.
    2 - O velocímetro tinha uma pequena ranhura a meio do ponteiro para que o odómetro nunca ficasse escondido.
    3 - O TX sendo de caixa automática e com comando do ar automático para arranque a frio, não permitia que se tivesse pressa a engrenar 1ª até que o motor atingisse a temperatura de estabilização do ralenti.

    Privilegiava o conforto de forma discreta, já não de fazem automóveis assim!
     
    João Pegadas gostou disto.
  4. Devem ter sido umas memórias e pêras amigo António... e logo num TS e num TX, que luxo!

    O TX era sem dúvida o mais completo de todos os modelos, hoje em dia para se comprar um gasta-se tanto para os restaurar como para comprar um em excelentes condições, são muito valorizados e percebe-se porquê... os niveis de equipamento eram inéditos para a época e difíceis de encontrar na concorrência directa.

    No mês passado, tive a oportunidade de conduzir um TL de 73, apesar de ter sido por pouco tempo deu para experimentar o comportamento do carro um pouco "à bruta"... :p
    Pu-lo a 110/120 e era impressionante a serenidade que o motor transmitia a tal regime, isso aliado àquelas magnificas poltronas com apoio de braço dianteiro.... oh! nem lhe conto! :D

    Claramente um carro muito bem construido e com uma vida a bordo acima da média... :thumbs up:
     
    joao ruivo quelhas gostou disto.
  5. João, só hoje vi este tópico, excelente, obrigado pela dedicação.

    Se um TX era demais, um TS já era muito bom;).

    abraço,
     
  6. Óptimo artigo! Desconhecia o modelo e as inovações que trazia.

    Cumprimentos
     
    João Pegadas gostou disto.
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